Respirei fundo e mergulhei em O homem sem qualidades, do austríaco Robert Musil. Há livros que se namoram uma vida inteira, sem coragem para o enlace matrimonial. Morre-se com essa dívida, uma tarefa fundamental relegada para o nunca mais. Há muito eu vinha me dizendo que era uma vergonha não ter ainda lido o romance do Musil, mas de onde tirar coragem para enfrentar as 1 273 páginas dele? Meus amigos, leitores cultos, me cobravam: Mas ainda não leu? Não abria a boca, negava apenas com uma sacudida de cabeça, envergonhado. E o livro lá, me olhando do alto da estante entre outros da língua alemã. Este domingo me encorajei e derrubei-o do lugar que ocupava havia vários anos. A confiar no prefácio da Bia Lessa, e eu confio, é um desses romances que revolvem a terra da literatura para novas plantações. Me sinto bem por ter começado a ler. Nunca gostei de ficar devendo dinheiro, favor, leitura, escritura, enfim, seja o que for, uma dívida sempre me dói na consciência. Estou apaziguado.
Blog de Literatura do escritor Menalton Braff, autor de 26 livros e vencedor do Prêmio Jabuti 2000.
Páginas
- ALÉM DO RIO DOS SINOS
- AMOR PASSAGEIRO
- Noite Adentro
- O Peso da Gravata
- Castelo de Areia
- Pouso do Sossego
- Bolero de Ravel
- Gambito
- O fantasma da segundona
- O casarão da Rua do Rosário
- Tapete de Silêncio
- À sombra do cipreste
- Antes da meia-noite
- Castelos de papel
- A coleira no pescoço
- Mirinda
- A Muralha de Adriano
- Janela aberta
- A esperança por um fio
- Na teia do sol
- Que enchente me carrega?
- Moça com chapéu de palha
- Como peixe no aquário
- Copo vazio
- No fundo do quintal
- Na força de mulher
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terça-feira, 8 de dezembro de 2015
ATÉ O FUNDO
UM ROMANCE FUNDAMENTAL
Respirei fundo e mergulhei em O homem sem qualidades, do austríaco Robert Musil. Há livros que se namoram uma vida inteira, sem coragem para o enlace matrimonial. Morre-se com essa dívida, uma tarefa fundamental relegada para o nunca mais. Há muito eu vinha me dizendo que era uma vergonha não ter ainda lido o romance do Musil, mas de onde tirar coragem para enfrentar as 1 273 páginas dele? Meus amigos, leitores cultos, me cobravam: Mas ainda não leu? Não abria a boca, negava apenas com uma sacudida de cabeça, envergonhado. E o livro lá, me olhando do alto da estante entre outros da língua alemã. Este domingo me encorajei e derrubei-o do lugar que ocupava havia vários anos. A confiar no prefácio da Bia Lessa, e eu confio, é um desses romances que revolvem a terra da literatura para novas plantações. Me sinto bem por ter começado a ler. Nunca gostei de ficar devendo dinheiro, favor, leitura, escritura, enfim, seja o que for, uma dívida sempre me dói na consciência. Estou apaziguado.
Respirei fundo e mergulhei em O homem sem qualidades, do austríaco Robert Musil. Há livros que se namoram uma vida inteira, sem coragem para o enlace matrimonial. Morre-se com essa dívida, uma tarefa fundamental relegada para o nunca mais. Há muito eu vinha me dizendo que era uma vergonha não ter ainda lido o romance do Musil, mas de onde tirar coragem para enfrentar as 1 273 páginas dele? Meus amigos, leitores cultos, me cobravam: Mas ainda não leu? Não abria a boca, negava apenas com uma sacudida de cabeça, envergonhado. E o livro lá, me olhando do alto da estante entre outros da língua alemã. Este domingo me encorajei e derrubei-o do lugar que ocupava havia vários anos. A confiar no prefácio da Bia Lessa, e eu confio, é um desses romances que revolvem a terra da literatura para novas plantações. Me sinto bem por ter começado a ler. Nunca gostei de ficar devendo dinheiro, favor, leitura, escritura, enfim, seja o que for, uma dívida sempre me dói na consciência. Estou apaziguado.
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