Blog de Literatura do escritor Menalton Braff, autor de 26 livros e vencedor do Prêmio Jabuti 2000.
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sábado, 29 de outubro de 2016
LIVROS RECEBIDOS NA SEMANA
Título: A mulher vitruviana
Autora: Edna Rezende
Gênero: Ensaios
Editora: Penalux
4ª capa:
A verve da menina demonstrou, com mais clareza, que eu estava doente. Não conseguia andar com ela no colo, por muito tempo. Sobrava-me entusiasmo e desejo de ajudar, mas faltava-me o ar. Era como se uma toalha de plástico envolvesse meus pulmões e eu ficava ali, a precisar de ajuda para ajudar. Por quqlauer esforço, tossia muito, envergonhada. Bronquite e bebê não combinam.
Postado por
Menalton
às
08:28
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Edna Rezende
sexta-feira, 5 de agosto de 2016
CONTOS CORRENTES
(Edna Rezende)
Desde a aposentadoria, Cleide se dedicava mais ao jardim.
Cultivava plantas de antigamente. Flores, de preferência. Sob o caramanchão
salpicado de roxo, onde a promessa de novos maracujás se manifestava com
excesso de perfume, viam-se os cochos de madeira maciça. Deles se erguiam
violetas tímidas, cujo perfume suave se destacava longe dali, e que Amarílis,
diante do sorriso de permissão, colhia para suas rasas floreiras de cristal.
Perto do muro de pedras, havia o canteiro das espécies bulbosas, como açucenas,
lírios, junquilhos e amarílis,
solicitadas por muita gente, com despudor, no Dia dos Mortos.
Cleide gostava de percorrer as vielas do jardim, na
esperança de que as azaléias lhe ensinassem a se esquivar do tédio. Em algum
momento, seu ânimo se desprendera. Professora de literatura, ela agora
recordava Milton: Quão cedo o tempo, esse sutil ladrão da juventude, roubou em
suas asas... Levara o quê? Principalmente a força interior, o ânimo para
refutar qualquer desdém. “Não quero preferência na fila, não quero vagas
especiais no estacionamento, não quero ser da terceira nem da melhor idade.
Quero ser Cleide, sem rótulo e sem aposto.” Quando o sentimento de perda
abalava a convicção de que em sua vida conquistara algo, confidenciava às plantas
suas rebeldias. Às vezes, se dirigia aos passarinhos, que bicavam sementes nas
avencas rendilhadas. Ali havia paz.
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