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segunda-feira, 5 de maio de 2014

CARTA CAPITAL| EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO


Quanto tempo da minha vida estava jogando fora por semana, por mês, por ano? Os resultados me deixavam os fios restantes de cabelo de pé, completamente pálidos
por Menalton Braff — publicado 03/05/2014 12:59

Houve um tempo, já um pouco distante, em que fui perseguido tenazmente por uma mesma pergunta. Também tive meus quinze segundos de fama, ouviu, Andy Warhol. E não quinze minutos, entendeu? Nas dezenas de entrevistas a que fui submetido, lá vinha ela. Já parecia que a quilometragem rodada por semana era o principal traço de meu caráter. Dezenas de vezes tive de responder que rodava mil e quinhentos quilômetros por semana. E isso não pareceria nada estranho aos repórteres se eu fosse um motorista profissional: era professor. Mas à força de tanta repetição, a pergunta começou a pegar significado. Repetitio mater sapientia est, dizia minha velha professora de latim, a dona Zilá, repetindo os romanos antigos, conceito que, nestas épocas em que a memória quase descendeu à condição de vício humano (como se fosse possível a sobrevivência sem ela), é bom que se repita de vez em quando.