Esta coluna reúne textos de Menalton Braff sobre livros deoutros escritores, mitos deles publicados como orelhas.
Sobre um epitáfio
Flávio Paranhos, que só recentemente conheci, é autor de Epitáfio, um livro surpreendente. Seus vinte e oito contos guardam entre si uma unidade temática e formal raras vezes encontrada em nossa literatura contística. Unidade, é certo, mas sem repetição. Suas variações, acho-me no direito de designar assim os contos, pois lembram muito a composição musical dessa categoria, revelam um bom domínio da técnica da narrativa curta e uma concepção clássica, por que não?, de seu tecido. Tempo, espaço e ação, a não ser em raros momentos, guardam a unidade prescrita por Aristóteles.
No plano da expressão, a escolha do autor recai principalmente sobre o modo dialogal de narrar, ou seja, predominam as situações em que duas personagens digladiam-se verbalmente, chegando mesmo o autor, como é o caso do conto Eternamente, a fazer uso da indicação da personagem que fala como nos textos dramáticos. O parentesco entre conto e teatro, por serem recortes mais ou menos rápidos de uma vida, o enfoque de uma situação bem limitada, fica bastante claro neste livro de Flávio Paranhos. Em outros contos, aqueles em que a escrita dramática não fica tão evidente, as intervenções do narrador, com seu discurso, assemelham-se, pela brevidade, a verdadeiras didascálias.
Costuma-se repetir conhecido conceito estético segundo o qual uma obra de arte bem realizada é aquela em que a expressão e o conteúdo estão adequados um ao outro. A considerar o conceito verdadeiro, e me parece que assim é, Epitáfio é um livro bem realizado. São geralmente duas
No plano da expressão, a escolha do autor recai principalmente sobre o modo dialogal de narrar, ou seja, predominam as situações em que duas personagens digladiam-se verbalmente, chegando mesmo o autor, como é o caso do conto Eternamente, a fazer uso da indicação da personagem que fala como nos textos dramáticos. O parentesco entre conto e teatro, por serem recortes mais ou menos rápidos de uma vida, o enfoque de uma situação bem limitada, fica bastante claro neste livro de Flávio Paranhos. Em outros contos, aqueles em que a escrita dramática não fica tão evidente, as intervenções do narrador, com seu discurso, assemelham-se, pela brevidade, a verdadeiras didascálias.
Costuma-se repetir conhecido conceito estético segundo o qual uma obra de arte bem realizada é aquela em que a expressão e o conteúdo estão adequados um ao outro. A considerar o conceito verdadeiro, e me parece que assim é, Epitáfio é um livro bem realizado. São geralmente duas