Benditas sois vós, pombas de minha cidade, que ainda podeis ensinar-nos muitas lições sobre a vida
por Menalton Braff — publicado 22/09/2013 10:10
Parado, numa esquina do centro, esperando o semáforo me autorizar a travessia da avenida, não percebi que entre a terra e o céu pairava sobre nós a verde ramagem de uma esplêndida sibipiruna. Sob meus pés, depois notei com espanto, a grossa e macia camada dos dejetos noturnos daquelas famílias aladas que habitam os andares mais altos das árvores e que não eram anjos, não, mas nossas queridas “margosas”, ou pombas, como querem os mais exigentes de exatidão.
Não me dirigia a nenhum encontro protocolar, tampouco a qualquer
tipo de reunião formal, com pessoas gradas ou graves. Meu destino, naquele
momento e por sorte minha, era o estacionamento, onde deixara o carro duas
horas antes.
