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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Esnobar ou não, eis a questão

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na Carta Capital

Cultura
Carta Capital

Esnobar ou não, eis a questão 
 por Menalton Braff

Não chega a ser um assombro ler que os membros do júri do Nobel, em 1961 esnobaram J.R.R. Tolkien. Me parece que o verbo esnobar não cabe no caso, por sua forte carga pejorativa. O que encontro nos jornais, e onde mais encontraria? é que CS Lewis tentou indicar seu colega ao Prêmio Nobel de Literatura, provocando reação contrária dos outros membros do júri.
A razão apresentada, “o resultado não se comparava às ficções de boa qualidade”, não me parece fora de propósito, muito menos ofensivo. Quando alguém resolve escrever, precisa fazer algumas opções. E a propósito transcrevo trecho encontrado no facebook de Matheus Arcaro: A alta literatura faz o leitor tropeçar. E não é todo mundo que está preparado para cair. Por isso os best sellers são best sellers: porque dizem o que o leitor espera. O leitor menos preparado chama isso de “identificação” com a obra. “Puxa vida, este autor diz exatamente o que eu penso.” Não percebe que o prazer da leitura é justamente “fechar o círculo”. Recusar alguém sob a alegação de pouca qualidade não me parece que seja esnobar.