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sábado, 23 de maio de 2015

RESENHA DA SEMANA


Obra: O tempo quase
Autor: Henrique Schneider.
Editora: Lê (Belo Horizonte)
Resenhado por: Wagner Coriolano de Abreu*
       

O tempo quase, de Henrique Schneider, além de posicionar o leitor diante de um sentido de quase, ao abordar o tema da morte na adolescência, o coloca em contato principalmente com a criação literária, dado que nas orelhas do livro desenvolve, em forma de crônica, um contraponto ao enredo da novela. Tanto na declaração “é o meu primeiro livro dirigido ao leitor adolescente” como na afirmação “a literatura não está aí para responder perguntas ou passar mensagem”, o escritor continua no terreno da criatividade, em espaço geralmente ocupado pelo texto de opinião.

No acúmulo da crítica a narrativas anteriores, encontram-se apreciações que podem ser constatadas também em O tempo quase. O leitor tem a impressão de vivenciar os acontecimentos, justamente pela intensidade dramática com que o escritor constrói as cenas. Consistente, a linguagem é moderna e bem realizada, do ponto de vista da mistura da língua portuguesa com a contribuição da linguagem advinda da expressão da juventude. De maneira absolutamente fascinante, conta o motivo que levou Martina ao ato desvairado de tentar a morte, de terminar com a própria vida, o que tem a ver com suas dúvidas, sobre o momento certo de ceder ao desejo do corpo.