Resenha: O peso da gravata
Por Ana Clara
Esta coletânea de contos inéditos do autor Menalton Braff
traz diversos universos, a partir de diferentes pontos de vista. Mergulha no
realismo fantástico, com histórias como a de um sobrado degradado pelo tempo, e
a de um personagem morto que caminha em direção ao seu próprio túmulo. Alguns
contos permeiam, ainda, a cruel realidade da rotina, do dia a dia, da morte e
da vida. O leitor é convidado, ao final do livro, com o conto "Jardim
Europa", a entrar no mundo de um condomínio prestes a ser invadido.
Há muito tempo eu não lia um livro de contos. Ou melhor: há
muito tempo eu não lia um livro de contos que fugia dos finais felizes e das
fábulas generosas, que se carregavam nos detalhes de cada história.
Quando eu li o título deste livro, logo imaginei a metáfora
contida nas entrelinhas. Então me veio à cabeça a palavra: rotina. Os contos
divididos em 18 capítulos tratam disso: da rotina maçante e suas dobras e
manobras. Mas a leitura não escorre de forma desgastante. Ao contrário. Os
detalhes das cenas, dos personagens, as falas entrelaçadas com a narrativa
surpreendem o leitor.
A moça, de calça jeans e blusa de malha, quer descer e pede
licença. A blusa azul tem manchas escuras na região das axilas. Ela pede
licença e avança enfiando a cara e os braços pelas fissuras entre os
passageiros. Pede licença e avança. Um pé, depois o outro, os braços e o corpo.
A moça puxa sua
