O conto deste quarto dia da nossa série de postagens CARNAVAL LITERÁRIO é da coletânea VOU TE CONTAR 20 histórias ao som de TOM JOBIM, editado pela Rocco e organizado por Celina Portocarrero.Falando de amor
Não pode haver dúvida: este banco ao pé do fícus, no meio da praça, ponto conhecido por toda a cidade. Sei que cheguei cedo demais, mas foi de propósito. Quero vê-la surgindo com seu passo de valsa, sua cabeça no alto singrando os ares como cisne no lago. Ah, claro, não posso perder sua chegada. Preciso estar atento, pois não imagino por que lado da praça ela pode vir.
Cinco minutos além da hora marcada, mas é preciso dar algum tempo de desconto. O trânsito, alguma pessoa conhecida, muitas coisas podem provocar o atraso. Uns minutos a mais. Mas ela há de vir. Lá na esquina, pode ser. Não, corpo sobrando, não é esguia como a Flora, com aquele seu jeito de lírio. E se não vier?
Ainda bem que esta sombra, sem pressa, Leonardo, e a brisa esperta e fresca, posso esperar muito tempo. Já esperei além de uma semana. Posso esperar muito mais. Para o amor as horas não cabem no relógio.
Costumava passar todos os dias por aquela calçada, que há muito não me dizia nada. Era meu caminho. Portas abertas, vitrines, duas, três árvores decrépitas: uma paisagem que de tão conhecida
tinha deixado de aparecer. Sabia de cor o nome de cada uma das lojas e bares, a cor das paredes, a iluminação intensa da farmácia. Nunca entrei por nenhuma daquelas portas, nem considerava










