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sábado, 13 de outubro de 2012

UMA CRONIQUETA


A eternidade vai acabar

Houve um tempo que tudo me parecia eterno. Era um mundo parado, sem movimento, em que o verbo esgotar não entrava. Meu pai era um homem imenso, seus poderes não tinham limite. Era um tempo e um mundo muito confortáveis.

Depois vieram tempos mais modernos, em que a desconfiança passou a gerir os negócios dos homens. A desconfiança e a convicção de que um dia não haverá mais florestas, então os rios poderão estar secos; não haverá mais água potável, porque os aqüíferos já foram poluídos ou também secaram. Tempos secos, serão aqueles. Alguém viu onde foi parar a gasolina? Só os mais velhos, conservados ainda como arquivos da memória humana, só eles ainda saberão o que era a gasolina.