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Então aconteceu. O
jornal veio parar na minha escrivaninha e estampava, em sua terceira página, a
fotografia de seis candidatos à chefia do executivo municipal. Reparei bem nas
fotografias aqueles rostos de feições agradáveis a inspirar a nossa confiança.
Pronto: acabou o meu sossego. Qual deles escolher? Todos eles bem nascidos e
bem lavados, pessoas da mais alta respeitabilidade cada um deles. Eis a origem
da angústia em que tenho vivido.
Tenho vivido um estado de angústia permanente de uns tempos
para cá. Antes o assunto não entrava nas minhas cogitações, que são,
geralmente, umas cogitações muito simples, que consigo resolver sem grande
esforço mental. Sabia, de forma bastante vaga, tratar-se de um ano eleitoral,
mas isso, até certo ponto, não me dizia respeito. Não sou contra as eleições,
que os deuses todos do Olimpo me livrem dessa falha. Mas no momento tinha
outras preocupações, todas de naturezas bem diversas, e a eleição ficava
parecendo-me uma coisa muito remota.
Então aconteceu. O
jornal veio parar na minha escrivaninha e estampava, em sua terceira página, a
fotografia de seis candidatos à chefia do executivo municipal. Reparei bem nas
fotografias aqueles rostos de feições agradáveis a inspirar a nossa confiança.
Pronto: acabou o meu sossego. Qual deles escolher? Todos eles bem nascidos e
bem lavados, pessoas da mais alta respeitabilidade cada um deles. Eis a origem
da angústia em que tenho vivido.
Conheço os seis
candidatos, mas não via em que um poderia ser melhor do que o outro, e isso me
impedia de fazer uma escolha consciente, para o exercício sagrado da cidadania.
Plagiando o bruxo do Cosme Velho, moro longe e saio pouco. Uma vez, numa
homenagem de alunos, me deram de presente um tatu de madeira que balança a
cabeça. Mantenho esse tatu sobre minha escrivaninha até hoje. Não saio muito da
toca.