domingo, 18 de novembro de 2012

PREFÁCIO PARA UM LIVRO DE CONTOS

 
 
QUEM SABE FAZ A HORA
 
Na E.E. Profa. Irene Dias Ribeiro, de Ribeirão Preto, um projeto de ensino da literatura virou livro nas mãos da Profa. Maria Inês Justino. Capa e ilustrações tiveram a supervisão da Profa. Fabiana Jacob Alonso, professora de artes.

Relutei, antes de aceitar a incumbência de prefaciar um livro de alunos. É sempre, perdão, quase sempre, uma tarefa tediosa, essa de ler algumas dezenas de contos de alunos, que, por definição, são textos de exercícios. Ainda mais: exercícios de quem obviamente não tem lá grande experiência do fazer literário.
 
Pois bem, acabei aceitando a tarefa, li todos os 51 contos e juro que não me senti entediado.
É claro que num livro composto por cinquenta e um autores existam altos e baixos, com vocações narrativas a explodir por baixo da pele, e com desincumbências pouco mais que aquiescentes. Não há como não ser assim. Mas dos textos todos, descobri surpreso que apenas dois deles não são exatamente contos. A alegria é ainda uma dissertação a respeito desse tema; e Amor de contos de fadas na realidade é uma crônica. E nesta observação não vai nenhum julgamento qualitativo, senão uma observação de gênero.
 
Sobre a extensão dos contos é de se notar a grande variedade, mas com predomínio dos contos curtos, cerca de duzentas palavras. Uma pequena história, mas com os elementos fundamentais da narrativa. Predomínio do narrador em terceira pessoa, personagens (quase sempre jovens), tempo, espaço, conflito bem articulado. Alguns dos contos ficam próximos das quinhentas palavras e um apenas que passa das oitocentas.
 
No plano do conteúdo também existe certa predominância:  amor, sobretudo o amor juvenil, seus encontros e desencontros, conflitos provocados por ciúmes, enfim, aquilo que existe no universo dos autores e que eles conhecem muito bem.
 
Mas há também contos sobre ações heroicas, vários tematizando a morte, a amizade, relacionamentos humanos dos mais diversos, mistério, ascensão social e aventuras.
 
Não para por aí a análise dos contos. Do realismo puro e simples, passam alguns para contos de fantasia, transitando pelo realismo mágico (fantástico),  que, em alguns casos, aproximam-se das aventuras fantasiosas cujo modelo é certamente o Harry Poter.
 
E foi lá, sentados na grama ao lado das salas de aula, que estes adolescentes provaram a beleza de sair de si, do mundo em que estão mergulhados, para inventar vidas e situações, para cair fora das acomodações da banalidade do que se costuma chamar de vida real. Parabéns à Profa. Maria Inês, e, principalmente, parabéns aos autores dos contos que ora compõem esta coletânea.
 
 

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