No conto Um dia, outro dia, do livro Na força de mulher
“Atravessa o largo, imponderável, passo leve, o calçamento
afundando, ficando pra beixo, e alcança a Brigadeiro Luís Antônio. (...) brisa que sobe da 23 de Maio, irrequieta e
úmida, suaviza a tontura e carrega a primeira fumaça. Amplia-se o céu, abre-se
o mundo.”
“Era um pedalar suave, sem ruídos. Descer a rua Baía Grande
pressionando o pedal esquerdo para não disparar, sentindo a gostosura do vento
a fazer cócegas nas narinas e nos olhos, nos domingos vadiar bem longe,
procurando ruas de pouco trânsito, bem lisas, asfaltadas; sentia-se compensado
pelos cascudos que tinha de suportar. Depois, lavar, engraxar eram atos de amor.
A todo instante queria praticá-los.”
“Em prumo precário Hipólito pára na praça Antônio Prado,
indeciso entre as tantas alternativas de direção. Se ao menos um convite,
qualquer um, afinal não é todo dia que um homem se aposenta.”
“O Martinelli ainda engradado para a viagem das reformas.
Alguns poucos transeuntes de passo rápido e rumo sabido, com destinos
definitivos. Apesar da hora, o intenso rumor de todos os motores ligados. Na
banca, as manchetes embaralham-se improvisando ilógica coreografia.”
“Mascando emanações de uísque, Hipólito finalmente decide:
não entrará pela São Bento para esperar o ônibus na praça do Patriarca. Desta
vez. Desta última vez.”
“Atravessa o largo, imponderável, passo leve, o calçamento
afundando, ficando pra beixo, e alcança a Brigadeiro Luís Antônio. (...) brisa que sobe da 23 de Maio, irrequieta e
úmida, suaviza a tontura e carrega a primeira fumaça. Amplia-se o céu, abre-se
o mundo.”
“A iluminação compacta da Paulista, seus edifícios
medonhamente adormecidos, a inexistência de qualquer movimento, lembram uma
tumba surrealista.”
“No fim da Brigadeiro, a amplidão. Hip´-olito respira a
madrugada, cadenciadamente, com volúpia e sente que a vertigem vai passando.”
No romance Janela aberta
“Era um pedalar suave, sem ruídos. Descer a rua Baía Grande
pressionando o pedal esquerdo para não disparar, sentindo a gostosura do vento
a fazer cócegas nas narinas e nos olhos, nos domingos vadiar bem longe,
procurando ruas de pouco trânsito, bem lisas, asfaltadas; sentia-se compensado
pelos cascudos que tinha de suportar. Depois, lavar, engraxar eram atos de amor.
A todo instante queria praticá-los.”
“Naquela manhã, saiu de casa pensando ainda por onde
começar. Mais de seis anos trabalhando na mesma empresa, repetindo a cada dia o
mesmo itinerário, vendo as mesmas ruas de sempre, agora sentia-se perdido. A
rua onde trabalhara, a Vila Carioca eram paisagens que o haviam assimilado.”
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