O poema abaixo é do livro A soleira e o século, do meu amigo Iacyr Anderson FreitasA MORTES QUANTAS
Outono preso entre vigílias.
O céu arde. A transparência
colhe o meio-dia.
Varejeiras esticam o horizonte
num varal invertido. Teu nome surge
com um infinito de zeros à esquerda,
em transfiguração.
Silêncio que leva outros silêncios pela mão,
rumo a tua maioridade. Calcanhares que fendem
o voo. Uma palavra, assombro, que traz gelos à
língua
quando soa. Essa necessidade de voltar
por ilhas demolidas
sem qualquer explicação.
Depois, homem feito, testemunhar a condecoração
do bisavô
recém-chegado da primeira grande guerra.
Desamparo que mal começa a engatinhar,
tanta é a fatalidade.
O muro que isola o absurdo, manhã que molha
os pequenos lábios da fome.
Oceano tomado de impossíveis. Hera acesa
por onde se elevam os últimos cueiros.
Lua que corta o calçamento, tingindo de sustos
a posteridade.
Abracadabras, sésamos, lições de nenhum
ofício, de nenhuma importância,
de valia nenhuma.
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