Estamos chegando ao fim das reflexões acerca das diferenças entre Literatura e Paraliteratura.Pág. 134 - "A indeterminação e a precariedade da fronteira entre a literatura e a paraliteratura manifestam-se também em relação aos receptores dos textos respectivos. Embora seja fácil predizer e afirmar, a priori, que muitos textos literários, tanto de épocas transactas como do período contemporâneo, não são lidos por uma grande faixa de receptores que consomem típica e habitualmente textos paraliterários - o leitor que tem como leituras predilectas e absorventes as narrativas sentimentais do romance-rosa de Delly, de Corín Tellado, etc., ou as narrativas movimentadas e eróticas dos romances de espionagem de Ian Fleming, John Le Carré, etc., não lê com certeza Fernando Pessoa, Ponge, Musil, Jorge Luís Borges, etc. - já se torna arriscado asseverar o inverso, isto é, que os leitores que têm como leituras habituais e predilectas textos literários - e, poderemos particularizar, textos da 'grande literatura' - nunca lêem, ou raramente lêem, textos paraliterários.
Embora não conheçamos quaisquer investigações estatísticas dignas de confiança sobre tais questões, não nos parece aventuroso afirmar que muitos leitores que, por gosto estético, por formação cultural e até por exigência do seu trabalho profissional (professores, críticos, etc.), lêem predominantemente textos literários, também lêem textos paraliterários, desde o romance policial de Simenon, de Agatha Christie, etc., até romances de aventuras como os de Alexandre Dumas Pai, de Fenimore Cooper, etc. Mas existe ainda, no público leitor de qualquer comunidade, um tipo de leitor médio, sob o ponto de vista cultural e estético, que pode ler indiferentemente tanto textos lieterários com determinadas características como textos paraliterários. Torna-se indispensável, todavia, registar duas anotações: primeiro, que também no domínio da paraliteratura existem gradações qualitativas (há leitores que lêem e apreciam um texto de van Dinne ou de Jules Verne, mas que são incapazes de suportar a leitura de uma página de Mickey Spillane ou de Emilio Salgari); segundo, que nem sempre é fácil a um leitor discriminar, dentre os textos seus contemporâneos, quais aqueles que virão mais tarde a ser relegados para o domínio da paraliteratura.
(CONTINUA)

Nenhum comentário:
Postar um comentário
http://twitter.com/Menalton_Braff
http://menalton.com.br
http://www.facebook.com/menalton.braff
http://www.facebook.com/menalton.braff.escritor
http://www.facebook.com/menalton.para.crianças