terça-feira, 3 de junho de 2014

QUESTÕES DE ESTÉTICA DA LITERATURA (101)


Carlos Bousoño
Pág. 223 - "Carlos Bousoño, preocupado sobretudo com a problemática da poesia lírica, distingue na sua Teoria de la expresión poética entre o autor (sem aspas), a pessoa real, o ser de carne e osso que se chama García Lorca ou Pedro Salinas, o 'autor' (com aspas), a figura que se sedimenta na imaginação do leitor após a leitura das obras do autor e que o leitor supõe como real, e o narrador poemático, um ente de ficção construído pelo autor, e que é a pessoa, a voz que fala no poema: 'Nótese que sólo el autor sin comillas tiene verdadeira realidade. El narrador poemático (p. 224) es un sueño del autor sin comillas, y el 'autor' entrecomillado es un sueño del lector, aunque éste lo entienda siempre como real, entendimiento que forma parte esencial de su naturaleza'.

Wayne Booth, na sua influente obra The rhetoric of fiction, distingue entre o autor real, isto é, o autor enquanto sujeito empírico e histórico, e o autor implícito, isto é, uma espécie de 'segundo eu' que o autor real cria enquanto escreve uma obra literária, que é imanente à totalidade de uma obra e cuja imagem o leitor reconstruirá como uma imagem ficcional. Esta distinção conceitual e terminológica de Wayne Booth, embora formulada em função da análise de textos narrativos, é passível de aplicação a todas as classes de textos literários, até porque Booth diferencia claramente o autor implícito do narrador, pois que o narrador 'is after all only one of the elements created by the implied author and who may be separated from him by large ironies', podendo acontecer que o narrador não seja digno de confiança ('unrealiable narrator') e contraste assim fortemente com o autor implícito ou que existam, no mesmo texto, múltiplos narradores, enquanto existirá sempre e apenas um autor implícito (mesmo que o autor real seja identificável com dois ou mais indivíduos). "

É evidente que as questões discutidas pelo Dr. Vítor Manuel sejam muitas vezes assunto mais atinente à teoria da literatura, todavia seu conhecimento é essencial à discussão de uma estética da literatura.


(CONTINUA)

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