sexta-feira, 8 de maio de 2015

CONTOS CORRENTES

Guiomar de Grammont (Ouro Preto, 3 de outubro de 1963) é uma escritora, editora, curadora, dramaturga, historiadora e filósofa brasileira.

Atualmente, também é diretora do Instituto de Filosofia Artes e Cultura da Universidade Federal de Ouro Preto em Minas Gerais
Em 1998, obtém o mestrado em filosofia, após dissertação defendida na Universidade Federal de Minas Gerais.

Entre 1999 e 2000, estagiou na École des hautes études en sciences sociales, em Paris, onde foi orientada pelo professor Roger Chartier e conheceu o amigo Rui Tavares. Retornou em 2007, onde foi professora visitante.

 Entre novembro de 1999 e fevereiro de 2000, foi organizadora do colóquio Autour du Brésil Baroque, na Embaixada do Brasil, em Paris, durante a exposição Brésil Baroque: Entre Ciel et Terre realizada no Museu do Petit Palais.

Concluiu em 2002 o doutorado em Literatura Brasileira na Universidade de São Paulo sob orientação de João Adolfo Hansen.

Foi coordenadora do Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana de 2004 a 2007.
É idealizadora e organizadora do Fórum das Letras, realizado em Ouro Preto desde 2004, que ganhou "a dimensão de uma importante plataforma de lançamento de novas ideias, sintonizada com a mudança de fisionomia do panorama literário", e curadora da Bienal do Livro de Minas Gerais, realizada em Belo Horizonte. sem deixar o alcance popular.

Em 2007, foi a curadora do Café Literário da Bienal do Rio de Janeiro.  Também foi curadora da Bienal da Bahia.

Em 2008 e 2009, realizou, com Inês Pedrosa, o Letras em Lisboa, um encontro de escritores lusófonos, versão portuguesa do fórum realizado em Ouro Preto.

Em 2009, também foi curadora da parte brasileira do Salão do Livro Latino-Americano de Paris.

Fonte: Wikipedia


                                                             BALEIAS  

                                                                                                         Guiomar de Gammont

Um macho de baleia escolheu sua companheira quando ambos eram ainda pequenos. Os dois continuaram juntos mesmo depois de se tornarem adultos. Nadavam juntos, comiam juntos, todas as coisas novas que aprendiam, faziam-nas juntos. O macho se contentava com os hábitos que eles sempre haviam partilhado.

Quando tudo parecia bem, o silêncio começou a se insinuar entre eles. Um dia, enquanto se dirigiam a uma ilha onde gostavam de assistir ao por-do-sol, ele se voltou para mostrar um cardume de peixes à companheira.

Ela não estava mais lá. Durante cinco dias e cinco noites ele a procurou desesperadamente. Quando já
estava completamente desamparado e tinha perdido a esperança de reencontrá-la, viu de longe uma fêmea que se parecia com ela. O coração do pobre batia tão forte que quase se podia ouvi-lo. 

Quando se aproximou, viu que ela nadava com outro macho, em um ballet sinuoso. Quis morrer. Hesitou entre a luta e a dor, mas decidiu partir, pois o outro casal estava tão harmonioso que parecia uma única baleia.

Por muito tempo, ele viajou sem cessar em direção às regiões mais geladas do pólo norte. Não sentia nada. Seu coração também estava congelado. Os raios do sol escorregavam no branco das montanhas e morriam no mar, fragmentados em milhares de pontos de luz.

Ele começou a nadar furiosamente em torno de um iceberg até ferir todo seu corpo no gelo lacerante.



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