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| Paulo Hecker Filho por Dulce Helfer |
PAULO
HECKER FILHO: O ABRAÇO É O QUE NOS JUSTIFICA
Sidnei Schneider
Uma antologia de
422 páginas sempre é motivo de releitura da obra de um poeta. Paulo Hecker Filho: poesia reunida
(Instituto Estadual do Livro/Corag, 2014), organizada pelos poetas Alexandre
Brito e Celso Gutfreind e lançada em dezembro último, traz o “nosso recorte”,
como escreveu um deles na dedicatória do meu livro, da vasta obra do autor.
Focada em 18 livros e um inédito, deixando de fora a poesia traduzida e o
teatro em versos, é obra de vulto de um dos mais significativos escritores
brasileiros, falecido em 2005. Leitor informado e permanente de clássicos e
novos, com uma biblioteca de 40 mil volumes, o que mais fez na vida foi ler e
escrever nos mais variados gêneros, incluída a crítica. Considerava o amor e a
amizade suas tarefas essenciais, e que nada poderia substituir a vida, nem
mesmo a arte, muito menos a dele.
Olhem comigo o dia que nos coube, tomem,
me deixem repartir tanta luz derramada,
que se eu ficar sozinho, eu vou ficar sem nada.
(Perder a vida,
1985)
A partir do título do poema, tem-se uma ideia do que
propõe a poesia de PHF, e muito pouco se precisaria acrescentar. Talvez apenas
chamar atenção, no caso do poema, para os versos longos metrificados que nem
parecem sê-lo, para uma inusitada rima que relaciona o som vocálico que inicia
a palavra homem com a bem marcada
consoante inicial da palavra-frase tomem,
a ampliar o efeito afirmativo do primeiro verso no segundo. Nos últimos, não é
exatamente a rima entre adjetivo e pronome indefinido o que esplende, mas a
ocorrência de uma palavra que passa por dentro de outra deixando o seu perfume.
Assim, em derramada, vê-se
nitidamente a palavra amada,
implicando sobre o sentido do conjunto, no qual ressoa. Alguém poderia objetar
que o autor talvez não tenha pensado nisso enquanto escrevia. No entanto,
Hecker não era rabiscador de versos, mas profundo conhecedor da poesia
universal, e aquilo que o poeta quis ou não quis fazer jamais saberemos, o que
temos é o seu poema, o que efetivamente se pode ler nele ou não, reservadas
certas significâncias de época e lugar. Mesmo porque, no caso de um autor vivo,
este tenderia a ler de modo diferente o seu poema após alguns dias, um ano ou
três décadas da sua finalização, e costuma aceitar o que outros percebem no seu
texto quando ele mesmo não o percebeu. Se a poesia admite uma vasta gama de
leituras, que podem agregar sentido às já comumente aceitas, ninguém considere
que, por isso, se possa admitir qualquer leitura ou uma leitura qualquer, se
esta menosprezar o que objetivamente se encontra no poema através dos seus
signos.
Sendo a quarta
vez que escrevo sobre a obra de PHF, sinto a tentação de refrisar poemas
preferidos, contudo é hora de dar vasão a outros. Hecker tinha opiniões muito
precisas e estudadas sobre diversos assuntos, fosse literatura ou história,
costumes ou política, filosofia ou teatro, ciência ou dança, artes plásticas ou
cinema. Não se trata aqui, com o poema seguinte, de extrair da vida do autor o
significado do seu poema e limitar a recepção, mas de não isolar qualquer uma
das partes que compõem o todo literário: o autor-compositor, a obra-partitura,
o leitor-intérprete e, muitas vezes esquecida, a sociedade. A sociedade que
demandou e a que usufrui a obra, sendo estas, no início da sua divulgação, a
mesma. Se toda obra é expressão social, que se dá através da articulação
forma-conteúdo durante sua realização, no ato da leitura interferem também: (1)
a experiência social do leitor, que cria sua particular subjetividade, sendo
que a apropriação coletiva da obra pelos leitores, se esta tem grandeza
artística o suficiente, amplia e agudiza o seu significado, transcendendo o que
o autor realizou através de suas próprias forças - melhor dizendo, a produção
de sentido individual do autor encontra a produção de sentido coletiva dos
leitores e se completa; (2) o contexto social em que esta leitura acontece, sua
específica situação de instante e lugar, que age marcadamente sobre o sentido:
um poema cômico dito no picadeiro ou durante o velório do palhaço. Em tempos de progressiva submissão oficial aos
interesses do capital financeiro e seus monopólios, é um refrigério ler algo
sobre não se dobrar ou submeter a pressões, se vão contra nossa soberania e
independência, seja no âmbito nacional ou individual:
IDEIAS (trecho final)
Eu gosto dos filósofos, o que pensam
não mudam nem a pau, cicuta ou Hitler.
Sabem levar o samba à última nota.
Senti quando tentei.
(Meu filho,
1992)
Da vida, resta apenas a obra, o que se realizou para
o bem comum, representada pela última palavra do registro abaixo, muito além do
seu significado imediato e sublinhada de modéstia:
O POEMA
O universo te atravessa. O universo,
com seus lagos, montanhas, desertos,
espaços intermináveis, os astros.
Te atravessa.
Nada sobra de ti nem dele,
a não ser, talvez, o poema.
(Dias e noites,
1999)
O amor aos filhos permeia a sua obra: “Os filhos
crescem/ Aquela coisa mais querida do mundo/ de repente tem opinião.” (Os
filhos crescem - Nem tudo é poesia,
2001). Cedo demais, PHF teve perdas: “Minha filha, minha mulher, meu pai/
mortos./ E eu era eles./.../ O que prossegue em mim/ viveu e morreu.” (Um
pouco além - Nem tudo é poesia);
“Lembro de tudo, das roupas às opiniões,/ mas é o teu rir que cai como ácido em
mim/ porque ainda se ri cheio de vida./ Estás tão viva/ como se eu telefonasse
agora para o Rio/ e respondesses Pai!” (Pai - Dias e noites). O filho se mete em dificuldades e adoece: “Rechaças
qualquer piedade//...// Mas ao menos meu olhar/ passa a mão por tuas faces./ E
uma vez não dizes não,/ como se, também, amasses...” (Menino dureza - Meu filho). Mas também faleceria,
restando-lhe uma das filhas. Como viver depois disso? Hecker, de quem não se
ouviu lamentações fora da escrita literária, felizmente sempre teve na poesia
um modo de vida, verbalizava exatamente isso, para todos os momentos, alegres
ou tristes: “Salva o mundo/ a tarde de abril/ em Porto Alegre/.../ A luz torna
Deus desnecessário/ e mesmo a felicidade/.../ Se a vida não existisse,/ essa
luz criaria.” (Abril - Não se mate,
1992); “Se deu tanta coisa errada, é o risco de viver,/ vai se ver ninguém se
importa.// Se sempre há mundo e o mal,/ não impedem a beleza,/ único ponto
final.” (Ponto final - Nem tudo é
poesia).
Os poemas têm vida própria, os últimos citados, por
exemplo, não se restringem à tragédia pessoal, será preciso lê-los também sob
outros pontos de vista, como a este:
O QUE NOS CABE
(estrofe inicial e final)
Sê firme como quem não fosse.
Sê sábio como quem não sabe.
A vida não é dura nem doce.
A vida é o que nos cabe.
(Perder a vida)
Emoção todo mundo
tem, poesia requer trabalho. Ter o que dizer, não simples estados de ânimo. O
texto base, se escrito de uma vez, venha como vier, envolto no que vier; já
anotações de versos isolados só mais tarde irão se unir num todo, ou não; seja
qual for o método de composição, este exige no mínimo uma segunda fase. De
bastante trabalho, já que em poesia tudo significa, qualquer caractere, e em
alto grau. O demasiado espontâneo, dada a enorme pressão midiática que atinge a
todos, tende a reproduzir as ideias dominantes e conservadoras, ainda que as
mais rebuscadas. Assim, o trabalho com a forma também impede, como advertia
Auden, as “respostas automáticas,/ forçando-nos a segundos pensamentos”. O
aparente sopro, que venha pronto e acabado, bastante criticado por João Cabral,
naquilo que se possa chamar de poesia, é raro. E tão importante quanto a
escrita, a seleção: escavar a montanha inteira para extrair uma única grama de
Rádio, como esclareceu Maiakóvski, referindo-se à mineração, e, de variadas
formas, muitos outros. O poeta talvez não seja mesmo um escritor, já que
edifica um objeto a partir da língua, essa coisa tão nossa e diária - um objeto
de beleza, como queria Keats, no famoso verso. Ao sobrepor sentidos e leituras
possíveis, cria uma espécie de escultura avessa ao linear, com a qual se propõe
a fazer coisas no mundo, não como toda e qualquer linguagem faz, mas sim de
modo especial, artístico e duradouro. Poesia requer uma vida de poeta, defendia
PHF, alguém que se arrisque a gastar a existência nisso, sem nenhuma garantia,
sempre em construção, enquanto fazedor de linguagem e ser humano:
PESSOA
O poeta, o
pintor, o músico, o artista em suma, é fundamentalmente o que ele seja como
pessoa. A arte se aprende, se houver a pessoa.
(A cidade e o homem, 2004)
Um poeta “maior”,
respondeu PHF a uma jornalista, é quem escreveu uns trinta poemas de primeira
linha. Ela perguntou então quantos ele já possuía. Sorrindo, ele disse uns
trinta e cinco, para não perder a brincadeira. Diga-se que o humor parece ser um componente importante da poesia sul
rio-grandense. Como Mario Quintana, PHF chegava a ele, veja-se este pequeno
poema em prosa:
E ELA SABIA
Ligo ao INSS pra saber a multa no atraso de uma
contribuição. A mocinha dá o valor da contribuição, da multa, dos juros e o
total, com irretorquível clareza.
– Você está tão por dentro – lhe digo –, que deve até
saber por que Deus criou o mundo. Por que, hem?
E ela ri cansada de saber.
(Nem tudo é
poesia)
PHF era o mais destacado crítico formal e
informal do RS do seu tempo, já que, além dos textos para jornais e revistas -
Estadão, Zero Hora e Correio do Povo, principalmente - escrevia cartas a
escritores maduros e iniciantes com detida análise crítica. Celso Gutfreind,
ante seus primeiros escritos, recebeu uma, hoje rememorada com muita
descontração: “Adorei o teu maravilhoso livro de poemas. Há nele quatro versos
ótimos.” Particularmente, aprendi com PHF algo muito útil para a apreciação de
livros e júris de concursos: primeiro buscar o livro bom, depois os poemas bons
e, se nada disso houver, os versos bons, pois há quem, a rigor, não obtenha um
só poema, mas que verso! Ele também escreveu, a sério mas com muita ironia, uma
espécie de sociologia do literato, que conclui: “É ir ao poeta pelo seu poema/
e folhear em pessoa o poeta menor” (Os
poetas menores - Vento, águia, coelho,
1991).
Amigo, o amigo
mais amigo dos seus amigos, não deixava por menos se o assunto fosse
literatura. Após ler um largo elogio a sua obra em jornal literário do Paraná,
produzido por um conhecido jornalista e escritor gaúcho, pôs-se a escrever uma
crítica literária sobre a produção deste, para ser publicada no mesmo veículo,
e disse: “Vamos ver se agora vai continuar me elogiando.” Em outro caso, após
receber comentário crítico sobre obra de terceiro, oriundo de um escritor muito
comedido, publicou-a, só para ver o que acontecia. Hecker fazia das suas, mas
não perdia a camaradagem.
Deixando as
anedotas de lado, mas sem abandonar o humor, um poema declaradamente
antirromântico, posto que boa parte dos românticos suspirava pela morte como se
ela fosse mulher atraente, subverte o raciocínio: “No ar tocável/ como uma flor
úmida,/ completa ela veio/ a tão esperada.//Borboletas viam-se/ na luz que ela
fazia./ Tantas/ que eu entontecia.// No terceiro olhar,/ ela me escolheu./ Me
daria a vida, a tão adiada.// E não fui com ela,/ sina amaldiçoada!/ Tive de
escrevê-la/ e não vi mais nada...” (Sina
- Cartas de amor, 1986).
Perder
a vida foi o seu livro de poesia melhor acolhido. Além dos poemas já citados,
vejamos alguns trechos. Irei sem versos
brinca com um afamado poeta: “Rilke, meu caro,/ que com tanto cuidado/
construíste a tua morte,/ desculpa,/ a quem desiste da sua.” Lição de muros retira sabedoria de
velhos muros “feitos para durar”, que “tombados, seguem muros pelo chão” e “não
cederam à ilusão”: “Nos ensinam a ser pobres/ (o que nos faz quase nobres),/ a
resistir, conviver.” Cinéfilo convicto, após sair de um filme sobre Van Gogh,
escreve Sede de viver, que
descortina um futuro similar em esperança ao final de Vidas Secas, de Graciliano Ramos: “Mas um dia talvez teus girassóis
floresçam.../ Basta agora que sofras e em luz cantes/ para que a vida e o homem
se mereçam.” Ah! Mocidade lembra
que, se trágica e melancólica às vezes, sua poesia nunca perdeu o alumbramento,
erigido livro a livro: “E era tão cheia de manhãs a vida/ que o dia inteiro não
as consumia!” Em E eu, que nada disso
fiz..., entre fingidor e verdadeiro, ocorre um balanço: “Uns constroem
cidades,/ outros universais sistemas./ Fundam universidades,/ têm históricos
amores,/ recebem todos os louvores,/ fazem fortuna ou poemas.// E eu, que nada
disso fiz/ e sem ter qualquer defesa?/ Eu, que fui sendo feliz?/ Eu que perdi a
vida.../ Que beleza!”
A paulatina
substituição no trabalho, expediente que impede a melhoria salarial, gera um
belo poema:
AS MOÇAS DA
CAIXA
Para onde vão as
caixas do super depois dos vinte anos?
Passa o tempo e
elas nessa idade, e ainda menos!
O olhar vê até o
pensamento de um furto,
as mãos sabem as
teclas... É de casar!
Pelo menos com a
maioria,
a começar pelas
sérias que, com corda,
abrem um riso de
aumento de salário.
E a paciência sem
comentários
com os
mal-educados e as loucas,
a saúde que
descostura o uniforme
no busto e nos
quadris...
Mas de repente
somem,
vão para outra
filial, que manda as suas,
também com vinte
anos, não nos dão paz!
Há um convênio
com as mães para só terem filhas dessa idade?
Obrigam-se as
moças a ir até os vinte e depois para o céu?
Olhando-as, se vê
que continua aberto.
Sem esquecer os
cabelos, todas as pernas são santas.
(Vento, águia, coelho)
Seria mesmo
necessário adendar que foi elogiado por Manuel Bandeira (Itinerário de Pasárgada), Carlos Drummond de Andrade (“Não conheço
outro caso, entre nós, de uma aventura intelectual tão vivida aos 20 anos”),
Mario Quintana (“Eu só tenho dois poetas prediletos no Rio Grande: Paulo Hecker
Filho e... eu”), Ferreira Gullar, Moacyr Scliar, Antonio Carlos Secchin, Sergio
Faraco, Armindo Trevisan? Sim, mas apenas no sentido de ampliar o interesse
pela sua obra.
O volume
incorpora poemas dos três primeiros livros, pouco conhecidos atualmente, já que
o autor reescreveu e publicou alguns deles em livros posteriores e passou a
defender que sua obra poética iniciaria com Perder
a vida, de 1985. Desobedientes como filhos-aprendizes ante o mestre-pai, os
organizadores recolocaram Ah! Terra
(1950), Triângulo (1952) e Patética (1955) em debate e circulação.
Tenho defendido que a poesia de PHF é afeita à logopeia, à dança do conceito
entre as palavras, mais do que à imagem (fanopeia) ou à sonoridade (melopeia),
ainda que exista tanta música e imagem nos seus versos, pois essas
características não se encontram isoladas. A grande presença de substantivos
abstratos acentua, corrobora essa percepção. E não é que no primeiro livro, por
ocasião desta resenha, encontrei uma instigante estrofe? “Pensas em tudo,/
docemente em tudo./ Ou não pensas, sentes/ o teu pensamento.” (Madrugada - Ah! Terra), no qual pensar contém um sentir docemente, definindo-se
um tom marcante da sua poética. Para divulgar Poesia reunida, foi produzido ainda um bonito vídeo pela cineasta e
escritora Laís Chaffe, diretora do Instituto Estadual do Livro, disponível no
YouTube.
Conforme o já
dito no início, algo para este leitor inesgotável que foi o Hecker sempre teve
precedência, aqui exposto no livro inédito, cujo título provém de outro poema sobre o filho:
DESENHO
Em cena um pede um abraço
e ao recebê-lo dá com a vida.
O abraço é o que nos justifica,
o poema apenas o desenha.
(O príncipe no
exílio, inédito)
Somente para deixar explícito que além dos poemas
reunidos há muitos outros de qualidade, fato amplamente reconhecido pelos
organizadores, este curtinho:
COM OS OUTROS
No que ando pela rua
evidente é a humanidade
e em seguida eu faço parte
e nem me procuro mais.
(Nem tudo é
poesia)
Hora de encerrar, mas a vida não para, nem mesmo com
o fim, tal o entrelaçamento em que inadvertidamente vivemos: “Quando eu morrer,
Gabriela,/ eu vou ficar nos outros, não além./ Nestes que vão passando - nós
passamos!” (Gabriela - Perder a
vida). Falta dizer apenas que uma das palavras que mais aparece nos seus
livros de poesia é justamente a palavra vida.
Sidnei Schneider é
poeta, ficcionista e tradutor em Porto Alegre. Publicou os livros Andorinhas e outros enganos (Dahmer,
2012), Quichiligangues (Dahmer,
2008), Plano de Navegação (Dahmer,
1999), Versos Singelos/José Martí
(SBS, 1997) e Poemas 1987-1992 (Artesanal,
1992). Participa de Poesia Sempre (Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro, 2001),
O melhor da festa 1 e 2 (FestiPoa Literária, Porto Alegre, 2008 e 2009),
Moradas de Orfeu (Letras Contemporâneas, Florianópolis, 2011), Poesia Gaúcha
Contemporânea (Assembleia Legislativa-RS, 2013) e outras antologias. 1º lugar
em poesia no Concurso Talentos, UFSM, 1995; 1º lugar no Concurso de Contos Caio
Fernando Abreu, UFRGS, 2003; Prêmio Açorianos de Divulgação literária, Prefeitura
de Porto Alegre, 2008.



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