Esta coluna reúne apresentações de livros escritas por Menalton Braff.
O silêncio bem temperado
Mariel Reis, esse é o nome. Em seu
segundo livro, reuniu vinte e um textos capeados pelo título A arte de afinar o silêncio, cujo
paradoxo expressa muito de seu conteúdo. E o silêncio, pode crer, saiu bem
temperado, lembrando o título de Johann Sebastian Bach. Uma incursão, mesmo que
rápida, por suas páginas, comprova nossa afirmação.
O livro, estruturado segundo um dia
na televisão, começa com o primeiro título, Hino,
que introduz o texto O poste, escrito em primeira pessoa e expressando
uma série de sensações de qualquer pessoa em uma cidade grande. A linguagem
carrega um certo sabor de Cruz e Sousa, o que é um de seus méritos, mas põe em
discussão algo que hoje começa a perder o sentido, qual seja, o problema das
classificações.
Muitas editoras, atualmente, fogem
à cilada dos tênues limites de alguns gêneros, indicando em sua ficha
catalográfica apenas ficções. O
conto, teoricamente discutidíssimo por autores como Edgar Allan Poe (para quem
conto era todo texto narrativo que se pode ler em meia hora) e Júlio Cortázar,
que nos deixou obra teórica importante a respeito deste gênero. Em resumo,
pode-se dizer que conto é uma narrativa de uma só célula dramática, com
economia de recursos narrativos. Sua linguagem,
