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sexta-feira, 25 de setembro de 2015

CONTOS CORRENTES

Viviane de Santana Paulo (São Paulo), poeta, tradutora e ensaísta, é autora dos livros, Depois do canto do gurinhatã, (poesia, editora Multifoco, Rio de Janeiro, 2011), Estrangeiro de Mim (contos, editora Gardez! Verlag, Alemanha, 2005) e Passeio ao Longo do Reno (poesia, editora Gardez! Verlag, Alemanha, 2002). Em parceria com Floriano Martins, Em silêncio (Fortaleza, CE: ARC Edições, 2014) e Abismanto (poemas, Sol Negro Edições, Natal/RN, 2012). Participa das antologias Roteiro de Poesia Brasileira - Poetas da década de 2000 (Global Editora, São Paulo, 2009) e da Antología de poesía brasileña (Huerga Y Fierro, Madri, 2007). Publicou poemas em revistas e jornais entre eles, Suplemento Literário de Minas Gerais, Inimigo Rumor, Jornal Rascunho, Poesia Sempre e Coyote; assim como nas revistas Argos e Alforja (México). Participou do VIII Festival Internacional de Poesia em Granada, Nicarágua.

CONTO:
As janelas

A primeira vez que eu vi o programa, se bem me recordo, foi no dia em que despertei com o melancólico ruído do dedilhar da chuva no vidro da janela, mesclava-se à candente voz de Charlotte pronunciando o meu nome. Donato, acorda! Bom dia! Senti os lábios dela pousarem leves e breves nos meus. Acorda, Donato Rotiel Borgues, senão você vai perder a hora.
Ah, não! Está chovendo! Os dedos da chuva insistiam na janela.
Sim, as plantas precisam de chuva. Ela me consolou ao mesmo tempo que se despedia de mim. Tchau, eu já vou.