Viviane de Santana
Paulo (São Paulo),
poeta, tradutora e ensaísta, é autora dos livros, Depois do canto do gurinhatã, (poesia, editora Multifoco, Rio de
Janeiro, 2011), Estrangeiro de Mim
(contos, editora Gardez! Verlag, Alemanha, 2005) e Passeio ao Longo do Reno (poesia, editora Gardez!
Verlag,
Alemanha, 2002). Em parceria com Floriano Martins, Em silêncio (Fortaleza, CE: ARC Edições, 2014) e Abismanto (poemas, Sol Negro Edições, Natal/RN, 2012). Participa das antologias Roteiro de Poesia Brasileira - Poetas da década de 2000 (Global Editora, São Paulo, 2009) e da Antología de poesía brasileña (Huerga Y Fierro, Madri, 2007). Publicou poemas em revistas e jornais
entre eles, Suplemento Literário de Minas Gerais, Inimigo Rumor, Jornal Rascunho, Poesia Sempre e Coyote; assim como nas revistas Argos
e Alforja (México). Participou do VIII Festival Internacional de
Poesia em Granada, Nicarágua.
CONTO:
As janelas
A primeira vez
que eu vi o programa, se bem me recordo, foi no dia em que despertei com o melancólico
ruído do dedilhar da chuva no vidro da janela, mesclava-se à candente voz de
Charlotte pronunciando o meu nome. Donato, acorda! Bom dia! Senti os lábios
dela pousarem leves e breves nos meus. Acorda, Donato Rotiel Borgues, senão
você vai perder a hora.
Ah, não! Está
chovendo! Os dedos da chuva insistiam na janela.
Sim, as plantas
precisam de chuva. Ela me consolou ao mesmo tempo que se despedia de mim.
Tchau, eu já vou.
