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Por Vitor Miranda ( Blog Vitor Miranda)
O recente romance, do premiado
escritor Menalton Braff, O Casarão da Rua do Rosário resgata uma importante
forma de composição de conteúdo muito explorada na história da literatura: o
espaço-moradia como elemento determinante da narrativa.
Na
história da literatura, vários gênios das letras criaram verdadeiras
obras-primas ao dar “vida” a moradias que, diretamente ou indiretamente,
funcionaram como partes fundamentais das narrativas. Exemplos não faltam. Emily
Brontë em O Morro dos Ventos Uivantes tece uma história de amor e vingança em
que a propriedade serve de casulo a conflitos e mesmo uma obsessão de vingança
de seu protagonista, Heathcliff. Em A Queda da Casa de Usher, Edgard Allan Poe
cria um conto em que a casa com seu ar soturno e medieval antecipa as
principais ações e comportamentos humanos. No Brasil, Lúcio Cardoso, na
modernidade, escreve seu principal romance justamente tendo uma casa, digamos,
como protagonista: Crônica da Casa Assassinada. No romance o autor apresenta ao
leitor uma casa quase viva, onde os segredos e conflitos entre os familiares se
inflamam e incendeiam os passos de cada fato narrado. Cartas e diários vão
fazendo sugestões das mais intensas possíveis, como um provável caso incestuoso
entre mãe e filho. Um quarto exemplo que podemos citar é o conto Nada e a nossa
condição, de João Guimarães Rosa, publicado no livro Primeiras Estórias. No
conto, o protagonista Antônio reside numa grande propriedade rural onde a casa
da fazenda é o espaço central da narrativa. Com o passar do tempo, morte da
esposa e a mudança das filhas casadas para outros centros, Antônio vai se
fechando, entristecido, na casa até morrer no menor quarto da enorme
propriedade. Por fim, o espaço todo pega fogo. Consuma-se, assim, a morte
recíproca de posse e possuidor.