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A gente tenta resistir, se esforça, mas a literatura é um
grande diálogo em que se tem de enfrentar vozes, muitas vozes, remotas ou
recentes, um emaranhado de vozes onde tentamos distinguir alguns dos
interlocutores. Os temas nos chegam da vida e dos livros. Capitulamos para
acabar refazendo o que está feito. Não é a primeira vez que a realidade me traz
de volta a ficção como se fora esta cópia daquela. A Clarice Lispector tomava
muito cuidado com as palavras porque ela sabia que as palavras engendram vidas.
Mas a Clarice era maga, ela fabricava coisas.
Confesso que a princípio me assustei. Chegou aquele bando em
revoada, invadindo tudo, tomando conta do espaço, expulsando-nos dali. Um dos
meninos era da cor da terra, trajava uma camiseta parda e usava uma bermudinha
sem cor. Me parece que era meio igual aos outros todos.
A literatura é um grande diálogo em que se tem de enfrentar
vozes. A Clarice Lispector tomava muito cuidado com as palavras porque sabia
que engendram vidas
por Menalton Braff
— publicado 20/08/2013 13:08
A gente tenta resistir, se esforça, mas a literatura é um
grande diálogo em que se tem de enfrentar vozes, muitas vozes, remotas ou
recentes, um emaranhado de vozes onde tentamos distinguir alguns dos
interlocutores. Os temas nos chegam da vida e dos livros. Capitulamos para
acabar refazendo o que está feito. Não é a primeira vez que a realidade me traz
de volta a ficção como se fora esta cópia daquela. A Clarice Lispector tomava
muito cuidado com as palavras porque ela sabia que as palavras engendram vidas.
Mas a Clarice era maga, ela fabricava coisas.