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segunda-feira, 27 de agosto de 2018

CARTAS DO INTERIOR

Esta coluna reúne crônicas inéditas de Menalton Braff


E por falar em política


E é claro que estou me referindo à política partidária e estamos em véspera de eleição. A maioria das pessoas de poucas letras confunde política com partido político. Já disse, e acho que foi aqui, repetindo o Carlos Nelson Coutinho (não sei se escreveu sobre isso, mas o ouvi de viva voz afirmar em um congresso da UBE no Teatro Sérgio Cardoso), que o beijo é um ato político, uma vez que envolve a concordância ou discordância de pelo menos duas pessoas.

Pois bem, não estamos em ano político já que todos os anos são políticos. Estamos em ano eleitoral. E isso me causa certa gastura porque começam a passar, aqui no interior, aqueles caminhõezinhos com seus alto-falantes anunciando, todos eles, seus candidatos, que, pelo discurso, não se diferenciam uns dos outros. Quem não fala de educação, saúde, segurança, combate à corrupção, desenvolvimento? O que eles não dizem, por não saberem ou por querer camuflar suas ideias, não sei, é o significado que atribuem a esta palavra tão aberta que é “desenvolvimento”. Dia e noite eles nos atenazam (atenazam, sim, ouviu? E não atanazam, a palavra deriva de tenaz) com o mesmo discurso como se entre os partidos não houvesse diferença de programas e apenas de pessoas. Dia e noite porque aqui no interior ninguém fiscaliza, então não se cumpre a legislação. Até no dia das eleições eles passam pelas ruas.