Resenha de Vanessa Maranha*
Um nome que na literatura brasileira é crucial na definição do que
foram, em termos estéticos e ideológicos os anos 80 e 90 e do legado que nos
deixaram é o do escritor gaúcho Caio Fernando Abreu, morto em 1996, de AIDS.
Ficcionista
de primeira grandeza, sobretudo como contista, onde aliás jaz, ainda pulsante,
quase a totalidade de sua produção literária, Caio F. (assim assinava missivas
aos amigos) continua marcando toda uma geração de escritores: de Santiago
Nazarian a Joca Reiners Terron, são visíveis as rasuras em seus respectivos
textos da influência direta ou indireta de Abreu, em suas temáticas urbanas, na
recorrência quase obsessiva à cena gay (Nazarian), no lirismo derramado, as obsessões
todas sublinhadas e que se mostram espaçadas, renitentes, ao longo de seus
escritos, dialogando entre si.
No
que se poderia chamar de um culto póstumo deflagrado nessa década em benefício
da memória do escritor que em vida passou situações de verdadeira penúria
financeira, sua obra foi relançada em grande estilo pela Editora Agir. Começou
em 2011 com o tríptico “Caio 3 D” e depois trouxe aos leitores o romance “Onde
Andará Dulce Veiga?” (que virou filme também em 2007 sob a direção do ribeirão-pretano
Guilherme de Almeida Prado, com Maitê
Proença no papel principal).
