Esta coluna reúne orelhas de livros escritas por Menalton Braff. Os dados do livro estão ao final do texto.
À sombra das taquareiras
Já
tinha lido, há cerca de dois anos, os contos do Fernando Neubarth, que não
conhecia, na época, apesar de taquarense, como eu, e que continuo conhecendo
apenas de texto, quem pode prever as marotices do destino? Circunstâncias tão
fortuitas então como agora, impediram-me de me ocupar deles àquela altura, o
que faço hoje com mais propriedade, talvez, o fôlego no ritmo certo. O
Fernando, sem querer, é claro, contou as histórias da minha infância, deu vida
a personagens que povoaram meus verdes anos à sombra das taquareiras. À
sombra das tílias, em alguns sentidos, vem atar as duas pontas da minha
vida.
Existe
na sintaxe do Fernando um certo sabor de madrugadas minuanas; seu léxico é
inegavelmente sulista, localizado; tipos, costumes, tudo vem à tona de sua
literatura com força telúrica, emerge, para mim, de um passado que não se quer
findo, porque se sabe humano. Uma leitura mais apressada poderia classificá-lo
como mais um autor regionalista, escritor representativo de grupos minoritários,
de que existe fartura no Rio Grande do Sul. Mas seria uma leitura inadequada.
O
conto A louça inglesa, com seu
sotaque alemão e alusões a costumes geograficamente determinados, esconde, por
baixo de seu veludo, a tragédia da decadência, da fatalidade da velhice. A
ferina ironia final do Dr. Fieber (Esses lampejos de lucidez) nos revela com a
arte de que o Fernando