Fragmento do livro Teoria da Literatura, de Vítor Manuel de Aguiar e Silva.
Págs. 33 e 34 -"Em segundo lugar, objecções como as mencionadas em 1.4. põem justificadamente em causa um realismo primário e um objectivismo de tipo positivista que admitem a existência plena da obra literária - e de toda a obra de arte - como um mero dado empírico, como um
factum brutum ou como um
monumentum anteriores e alheios à leitura, à experiência estética do(s) sujeito(s) receptor(es) da obra. Pelo contrário, na estética e na teoria literárias contemporâneas, desde Ingarden e Mukarovsky até aos defensores da 'estética da recepção' (
rezeptionsästhetic), apresenta-se como inquestionável o princípio de que a obra literária só adquire efectiva existência como obra literária, como objecto estético, quando é lida e interpretada por um leitor, em conformidade com determinados conhecimentos, determinadas convenções e práticas insitucionais. Como escreve Wolfgang Iser, 'the literary work has two poles,
which we might call the artistic and the aesthetic: the artistic refers to the text created by the author, and the aesthetic to the realization accomplished by the reader.'