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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

QUESTÕES DE ESTÉTICA DA LITERATURA (124)

Wolfgang Iser

Receptor, destinatário, leitor


Para empregar-se relativo rigor, não se devem confundir receptor e destinatário, sendo que aquele pode ser aproximado do leitor (entidade empírica com capacidade para decodificar a mensagem, quando o faz). 
Todo autor, no momento da enunciação, tem em mira um destinatário ideal. "Flaubert confessa que escreveu em parte L'education sentimentale para Sante-Beuve, paradigma do leitor inteligente; Mallarmé exclui a hipótese de os seus textos poéticos se dirigirem a um público de massas; Valéry aconselha a escrever apenas para o leitor "inteligente" e insusceptível de ser dominado por qualquer modalidade de manipulação; Fernando Pessoa/Alberto Caeiro pensa num leitor que saiba ler pacientemente e com espírito pronto, etc. Este leitor assim configurado é um leitor ideal ou um leitor modelo, uma entidade teórica construída por um escritor."

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

QUESTÕES DE ESTÉTICA DA LITERATURA (123)

Wolfgang Iser
É evidente que o receptor do texto literário sempre existiu, mas não como instância merecedora de estudo por parte da Teoria da Literatura.
Foi só na década de 1960 que, sob a influência da fenomenologia husserliana, Iser e alguns outros teóricos desenvolveram a ideia de que o leitor, em suas circunstâncias, deve ser levado em conta como o destino de toda comunicação literária.
Já Antonio Candido, em famoso ensaio, afirmava que o círculo da literatura só se completa em um tripé: autor, obra, leitor.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

QUESTÕES DE ESTÉTICA DA LITERATURA (13)


Fragmento do livro Teoria da Literatura, de Vítor Manuel de Aguiar e Silva.

Págs. 33 e 34 -"Em segundo lugar, objecções como as mencionadas em 1.4. põem justificadamente em causa um realismo primário e um objectivismo de tipo positivista que admitem a existência plena da obra literária - e de toda a obra de arte - como um mero dado empírico, como um factum brutum ou como um monumentum anteriores e alheios à leitura, à experiência estética do(s) sujeito(s) receptor(es) da obra. Pelo contrário, na estética e na teoria literárias contemporâneas, desde Ingarden e Mukarovsky até aos defensores da 'estética da recepção' (rezeptionsästhetic), apresenta-se como inquestionável o princípio de que a obra literária só adquire efectiva existência como obra literária, como objecto estético, quando é lida e interpretada por um leitor, em conformidade com determinados conhecimentos, determinadas convenções e práticas insitucionais. Como escreve Wolfgang Iser, 'the literary work has two poles,
which we might call the artistic and the aesthetic: the artistic refers to the text created by the author, and the aesthetic to the realization accomplished by the reader.'