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Josés
(Tiago Feijó)
(Tiago Feijó)
Para Leonardo Zanella e José Saramago
Voltava sempre assim, lerdo, lento, conjurando a demora dos passos,
após o seu habitual passeio noturno. Vinha sempre pelas mesmas ruas, optando
ordinariamente pelas mesmas calçadas, pisando quase invariavelmente os mesmos
ladrilhos daquele obstinado caminho, como se desconhecesse a óbvia
possibilidade de outro percurso, de novas rotas. Retornava ao seu apartamento
com a pontualidade e o método costumeiros. Pouco antes, havia caminhado até a
orla da praia, afundara na areia o seu tênis branco, andara estranhamente sobre
aquele chão movediço e se colocara, com calculada cautela, a uma segura
distância da franja da água, queia e vinha como uma lenta respiração. Como o
céu estivesse muito escuro e sem estrelas e não houvesse luz de barcas no
horizonte, parecia que a noite se derramava sobre o mar, confundindo-se numa só
coisa, para vir se dissipar na areia em efêmeras espumas. Sem dar por isso, ele
apenas olhara, os olhos metidos na escuridão, pensando no que sempre pensava
quando ali se deixava ficar:
