Muito pouca gente dá o devido respeito que nos merece o
apêndice nasal. Éramos já velhos conhecidos quando descobri que para alguns
escritores ele serviu de protagonista.
Na peça “Cyrano de
Bergerac”, a mais famosa de Edmond Rostand, o infeliz Cyrano, debochado por
Valvert por causa de seu nariz, em um longo discurso demonstra ao tolo opositor
o que poderia ser dito sobre sua protuberância frontal, caso ele tivesse algum
talento poético. “É rochedo! É cabo! Inda é maior: É promontório! É mais: é o
Novo Continente!”
Outro narigudo famoso, na literatura, descrevendo o próprio
nariz assim diz: “Nariz, nariz, e nariz,/ Nariz, que nunca se acaba;/ Nariz,
que se ele desaba,/ Fará o mundo infeliz.// Nariz, que Newton não quis/
Descrever-lhe a diagonal,/ Que, se o cálculo não erra,/ Posto entre o Sol e a
Terra,/ Faria eclipse total!”.