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segunda-feira, 22 de outubro de 2012

CARTA CAPITAL| NOSSO NASO



Muito pouca gente dá o devido respeito que nos merece o apêndice nasal. Éramos já velhos conhecidos quando descobri que para alguns escritores ele serviu de protagonista.
 Na peça “Cyrano de Bergerac”, a mais famosa de Edmond Rostand, o infeliz Cyrano, debochado por Valvert por causa de seu nariz, em um longo discurso demonstra ao tolo opositor o que poderia ser dito sobre sua protuberância frontal, caso ele tivesse algum talento poético. “É rochedo! É cabo! Inda é maior: É promontório! É mais: é o Novo Continente!”

Outro narigudo famoso, na literatura, descrevendo o próprio nariz assim diz: “Nariz, nariz, e nariz,/ Nariz, que nunca se acaba;/ Nariz, que se ele desaba,/ Fará o mundo infeliz.// Nariz, que Newton não quis/ Descrever-lhe a diagonal,/ Que, se o cálculo não erra,/ Posto entre o Sol e a Terra,/ Faria eclipse total!”.