Menalton Braff*
Quando acordou e viu que todos os passageiros desciam
levando suas bagagens de mão, Airton pegou sua mochila e também desceu. Na
escada já sentia no rosto o vento frio, cujas rajadas mexiam com seus cabelos.
Olhou o prédio largo e alto do aeroporto, examinou com atenção uma imensa placa
metálica e concluiu que se tratava provavelmente do nome, ou do próprio
aeroporto ou da cidade aonde chegaram. Os sinais gráficos quase gigantescos da
placa, entretanto, não lhe diziam nada. Mas não parou, seguindo o caminho
trilhado pelos outros passageiros.
A maioria encaminhou-se para a sala das esteiras, onde as
malas seriam distribuídas. Na porta de correr, Airton parou indeciso. Não se
lembrava de haver trazido bagagem além de sua mochila. Por isso continuou até o
imenso saguão, esperando encontrar algo ou alguém que lhe desse alguma pista do
lugar em que se encontrava. Guichês de chek in, bares, uma livraria. E muita
gente com cara de seres comuns, caminhando apressadamente na ida como na volta,
a cabeça erguida e a mão amassando a orelha com um celular. Todos eles falando
ao mesmo tempo sem se importarem de incomodar ou de serem incomodados. As
palavras, se é que eram palavras, eram tão estranhas quanto os sinais gráficos
percebidos na chegada.
Ninguém ria.
Airton descobriu uma cadeira vaga ao lado de uma mesinha à
espera de cliente. Ah, sim, sua mochila não era muito leve, e as pernas
latejavam destreinadas em andar a volta, sem rumo, como numa dança cujo destino
é o mesmo objetivo: dançar. Apressou-se a tirar uma ficha, como via outros
passageiros fazerem. Percebeu claramente que o caixa se dirigia a ele, por
causa de um olhar dirigido a sua testa, e não entendeu o que lhe dizia, mas
supôs. Apontou para o balcão de vidro e disse em sua língua que queria um daqueles
ali. Com o dedo indicou a quantidade e o caixa, surpreso, olhou para cima.
Novamente teve de supor, sem entender o preço. Abriu a carteira e mostrou ao
homem com cara de pessoa