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domingo, 25 de outubro de 2020

FRASE

Esta coluna posta, a cada domingo, uma frase de um personagem da literatura. A que escolhemos para este domingo é do conto "Abundância de Estrelas no céu".





sábado, 24 de outubro de 2020

RETALHOS 2020 - AMOR PASSAGEIRO

 RETALHOS 2020 é uma série de vídeos gravados por Menalton Braff para apresentar os seus 26 livros já publicados (existem inúmeros outros ainda inéditos). A obra que Menalton apresenta hoje é "Amor Passageiro", lançado pela Editora Reformatório, em 2020.




domingo, 11 de outubro de 2020

FRASE

Esta coluna posta, a cada domingo, uma frase de um personagem da literatura. A que escolhemos para este domingo é do narrador do conto "Amor Passageiro", que integra do livro "Amor Passageiro", de Menalton Braff. 



domingo, 2 de agosto de 2020

FRASE

A coluna FRASE ganhou uma nova perspectiva. As frases não são mais de autores e 
sim de personagens da literatura. A que escolhemos para este domingo é do protagonista do conto  Não sou canibal, do livro Amor passageiro, de 
Menalton Braff. 


quinta-feira, 2 de julho de 2020

ENTREVISTAS QUE VOCÊ NÃO LEU

Acesse a publicação original

Pare quem não leu, e para quem gostaria de repetir a leitura, postamos novamente a entrevista que Menalton Braff concedeu ao jornal Estado de Minas em 2019, na época do lançamento do livro AMOR PASSAGEIRO pela Editora Reformatório.

VIDAS EM TRÂNSITO

Vencedor do Jabuti em 2000, o gaúcho Menalton Braff volta com livro de contos sobre personagens em deslocamento no tempo e no espaço

EM Estado de Minas

Personagens em deslocamento – no espaço, no tempo – movem os contos de Amor passageiro. Lançado pela editora paulista Reformatório, o 25º livro de Menalton Braff tem viagens sem volta, locomotivas nostálgicas, entroncamentos, boleias de caminhão, saguões de aeroportos. Homens à mercê da "vertigem dos quilômetros" e de confrontos com o passado em estradas de terra que levam até casas de "telhas quebradas, janelas abertas, o mato cobrindo as passagens, o ar escuro com cheiro de mofo". Entre achados e sentenças, ("A coragem é uma espécie de desamor, um desapego"), Braff apresenta narrativas concisas, especialmente fortes em contos como "Dois plátanos" e "No cruzamento". Vencedor do Prêmio Jabuti de Livro do Ano- Ficção em 2000 com À sombra do cipreste, o gaúcho da pequena Taquara concedeu, por e-mail, entrevista ao Pensar.

O que une os contos de Amor passageiro?

O conto, por definição, é uma narrativa literária com início, meio e fim (não obrigatoriamente nesta ordem), mas com isso se estabelece sua independência como objeto artístico. Ele é produto de um momento, uma experiência, um estado. A organização dos contos em um livro pode ligá-los por temas, personagens, espaços, tipos de conflitos, enfim, por variados vínculos. Mas isso não é condição sine qua non para juntá-los. Os contos de Amor passageiro foram escritos em períodos e condições diversos (isso por mais de uma década) com incursões pelo realismo Personagens em deslocamento – no espaço, no tempo – movem os contos de Amor passageiro. Lançado pela editora paulista Reformatório, o 25º livro de Menalton Braff tem viagens sem volta, locomotivas nostálgicas, entroncamentos, boleias de caminhão, saguões de aeroportos. Homens à mercê da "vertigem dos quilômetros" e de confrontos com o passado em estradas de terra que levam até casas de "telhas quebradas, janelas abertas, o mato cobrindo as passagens, o ar escuro com cheiro de mofo". Entre achados e sentenças, ("A coragem é uma espécie de desamor, um desapego"), Braff apresenta narrativas concisas, especialmente fortes em contos como "Dois plátanos" e "No cruzamento". Vencedor do Prêmio Jabuti de Livro do Ano- Ficção em 2000 com À sombra do cipreste, o gaúcho da pequena Taquara concedeu, por e-mail, entrevista ao Pensar.


O que une os contos de Amor passageiro?

O conto, por definição, é uma narrativa literária com início, meio e fim (não obrigatoriamente nesta ordem), mas com isso se estabelece sua independência como objeto artístico. Ele é produto de um momento, uma experiência, um estado. A organização dos contos em um livro pode ligá-los por temas, personagens, espaços, tipos de conflitos, enfim, por variados vínculos. Mas isso não é condição sine qua non para juntá-los. Os contos de Amor passageiro foram escritos em períodos e condições diversos (isso por mais de uma década) com incursões pelo realismo mágico ontológico, realismo mágico metafísico (segundo a categorização de Splinder) ou simplesmente realismo. Há, claro, entre os contos, mesmo com o uso de técnicas narrativas diversas, temas como a morte, a solidão, mas sobretudo alguma sensação de perda, exceto, claro, para o conto Proto-colo, que é uma outra história, teve intenção diferente, é uma experiência diferente. 

Há uma citação de Lucíola, de José de Alencar, na abertura de um dos contos. É um dos escritores de sua predileção? Quais autores brasileiros de outros séculos sempre merecem releituras?

Comecei meu caminho de leitor de literatura adulta pelo José de Alencar e não há como não encontrar nele um de nossos mais bem acabados romancistas. Que não só pelo projeto (urbanos, indianistas e históricos), aquela consciência de uma obra nacional em construção, mas também como trabalhou em seus romances uma língua que se diferenciava da língua portuguesa de Portugal. A organização estrutural de seus romances são verdadeiras aulas de técnicas do romance. Mas, além de Alencar, Machado de Assis, Mário de Andrade, Guimarães Rosa, Clarice Lispector são autores brasileiros que não podem ser jamais esquecidos.

Em muitos contos, os personagens estão em movimento. Em um deles, "A última viagem", há uma locomotiva que "levara pessoas da cidade para outras cidades, pessoas que atravessaram oceanos, cortaram os céus, circundaram o mundo". Como as vidas em trânsito podem inspirar as suas criações?

Minha biografia, até determinado momento, cruza com estações de trens, rodoviárias, navios e portos, mudanças em cima de caminhões. Até os vinte anos já tinha morado em umas dez cidades. Não sei até que ponto tal circunstância me influenciou na construção de minhas narrativas. Sei que o transitório, o passageiro me fascinam, a realidade líquida é onde me sinto viver.

"A coragem é uma espécie de desamor, de desapego". Esta coragem, baseada no desapego, também é necessária para escrever ficção no Brasil?

Provavelmente. No meu caso, não tenho dúvida. Como autor, eu crio mundos, habito neles, mas desde sempre estou sabendo que uma hora eu volto e abandono tudo. Outro aspecto, o mais prático, ficcionista, no Brasil, é o amor ao desapego. Se o propósito é fazer arte literária, o autor precisa esquecer as necessidades materiais. Ele precisa de outra atividade, uma atividade paralela, para sobreviver.

O que mudou em sua trajetória como escritor depois de ganhar o Prêmio Jabuti de Livro do Ano em 2000 com a coletânea À sombra do cipreste?

Mudou o entorno da literatura, não ela. A vida social do escritor, seu relacionamento com o mundo editorial, suas relações com a mídia. Na verdade, a escrita continua a mesma, mas as decorrências da escrita, ou seja, aquilo que o torna existente como escritor, isso tudo muda inteiramente. O início de uma carreira literária no Brasil é extremamente difícil. Sem que algo de extraordinário aconteça, sem que haja uma explosão, as portas das editoras estarão todas fechadas. Sem o Jabuti é provável que tivesse escrito os 25 livros que tenho publicados, talvez até mais, mas estariam todos inéditos. E aí aquele tripé do Antonio Candido: autor –  obra – público.

Em entrevista ao projeto Como eu escrevo, o senhor menciona o desejo de escrever um romance histórico com base na vida de Bárbara Heliodora. Como surgiu esse interesse? O que seria necessário para concretizá-lo?

O interesse surgiu do conhecimento fragmentário da história da Bárbara. Em criança cantávamos, lá no fundo do Rio Grande, alguma coisa assim: "Bárbara Bela/do norte estrela/que o meu caminho sabes guiar/De ti ausente/triste somente/as horas passo/a suspirar". Quando descobri a origem daquilo fiquei todo eriçado. A Bárbara era aquela, a esposa de Alvarenga Peixoto. Sua vida, suas lutas, o papel que desempenhou na vida dos inconfidentes, tudo isso me atraiu muito. Bem, o que seria necessário: a possibilidade de passar uns oito meses ou mais em Ouro Preto pesquisando. O máximo que consegui foi uma semana

Como a vida em uma pequena cidade do interior brasileiro influencia a sua literatura?
Devo muito às dezenas de cidades pequenas em que vivi. Existe uma experiência de cidade pequena impossível em uma metrópole. Na cidade pequena, por exemplo, o candidato a prefeito vem conversar com você, o farmacêutico te telefona se você não aparece para aquela injeção, enfim, as relações são de primeiro grau, quando não, de segundo. Tudo é mais próximo, inclusive as pessoas. Há quem ache sufocante, eu tiro algum proveito.

De onde vêm as suas histórias?

Pescoço de coruja. O olhar roda os 360º. As histórias acontecem à nossa volta, o que falta a gente inventa, distorce, contorce, faz até realismo mágico.


Trecho do conto “Dois plátanos”


"Não é um retorno definitivo. Vão ficar decepcionados, mas não posso passar de um mês, as obrigações à minha espera. A gente vai assumindo, sem perceber vai acumulando, bem, mas é pista simples e, quando vê, vive em função do trabalho. Mas se não fosse assim? Cara doido, ultrapassou o caminhão na faixa contínua, é pista simples e tenho de diminuir a marcha, como eles?, uns sacos de mamona e outros de piretro, umas notinhas embrulhadas num lenço e um par de sapatos no fim do ano. Tudo asfaltado, pois não é que o progresso?!
As portas que eu tive de arrombar, então, nisso ninguém pensa? Os anos. Não podia contar como vivia, seria pura tristeza. Apesar de tudo."



Amor passageiro

• De Menalton Braff.
• Editora Reformatório
• 160 páginas
• R$ 38,00.


domingo, 28 de junho de 2020

FRASE

A coluna FRASE ganhou uma nova perspectiva. As frases não são mais de autores e sim de personagens da literatura. A que escolhemos para este domingo é do narrador do romance "Além do Rio dos Sinos", o mais novo livro de Menalton Braff. 



terça-feira, 26 de maio de 2020

OS 26 LIVROS DE MENALTON BRAFF

Embora nem todos saibam, Menalton já publicou 26 livros. Desses, apenas 24 levam a sua assinatura. Nos dois primeiros, ele usou o  pseudônimo 'Salvador dos Passos'.

O mais recente é o romance "Além do Rio dos Sinos", lançado em março pela Editora Reformatório. Entre aqueles dois primeiros e o último, Braff publicou romances, contos, novelas infantis e juvenis. Recebeu diversos prêmios, entre os quais o Jabuti livro do ano em 2.000 com a coletânea de contos "À sombra do cipreste".

Relacionamos, a seguir, todos os títulos, classificados por público alvo, com links para as páginas deste blog que trazem informações sobre cada um deles.

Boas descobertas e, caso você se anime a conhecer algum deles, boa leitura!!!

Para adultos

ALÉM DO RIO DOS SINOS (Romance lançado pela Editora Reformatório).

AMOR PASSAGEIRO (Coletânea de contos lançada pela Editora Reformatório)

NOITE ADENTRO (Terceiro volume da trilogia "Tempus Fugit")

O PESO DA GRAVATA  

POUSO DO SOSSEGO ( Segundo volume da
trilogia "Tempus Fugit")
TAPETE DE SILÊNCIO (Primeiro volume da trilogia "Tempus Fugit")

À SOMBRA DO CIPRESTE Prêmio Jabuti - Livro do ano  em 2.000)








Juvenis





Infantis
MIRINDA

sábado, 23 de maio de 2020

ENTREVISTAS QUE VOCÊ NÃO LEU

Esta coluna reprisa entrevistas antigas de Menalton Braff. A ideia é resgatar algumas postagens para os novos leitores e permitir que os antigos repitam a leitura, caso interesse.

A entrevista que escolhemos para hoje foi concedida ao Jornal Estado de Minas, de Belo Horizonte, logo depois do lançamento da coletânea de contos "Amor Passageiro"


Acesse a publicação original              

VIDAS EM TRÂNSITO


Vencedor do Jabuti em 2000, o gaúcho Menalton Braff volta com livro de contos sobre personagens em deslocamento no tempo e no espaço

EM Estado de Minas

Personagens em deslocamento – no espaço, no tempo – movem os contos de Amor passageiro. Lançado pela editora paulista Reformatório, o 25º livro de Menalton Braff tem viagens sem volta, locomotivas nostálgicas, entroncamentos, boleias de caminhão, saguões de aeroportos. Homens à mercê da "vertigem dos quilômetros" e de confrontos com o passado em estradas de terra que levam até casas de "telhas quebradas, janelas abertas, o mato cobrindo as passagens, o ar escuro com cheiro de mofo". Entre achados e sentenças, ("A coragem é uma espécie de desamor, um desapego"), Braff apresenta narrativas concisas, especialmente fortes em contos como "Dois plátanos" e "No cruzamento". Vencedor do Prêmio Jabuti de Livro do Ano- Ficção em 2000 com À sombra do cipreste, o gaúcho da pequena Taquara concedeu, por e-mail, entrevista ao Pensar.

O que une os contos de Amor passageiro?

O conto, por definição, é uma narrativa literária com início, meio e fim (não obrigatoriamente nesta ordem), mas com isso se estabelece sua independência como objeto artístico. Ele é produto de um momento, uma experiência, um estado. A organização dos contos em um livro pode ligá-los por temas, personagens, espaços, tipos de conflitos, enfim, por variados vínculos. Mas isso não é condição sine qua non para juntá-los. Os contos de Amor passageiro foram escritos em períodos e condições diversos (isso por mais de uma década) com incursões pelo realismo Personagens em deslocamento – no espaço, no tempo – movem os contos de Amor passageiro. Lançado pela editora paulista Reformatório, o 25º livro de Menalton Braff tem viagens sem volta, locomotivas nostálgicas, entroncamentos, boleias de caminhão, saguões de aeroportos. Homens à mercê da "vertigem dos quilômetros" e de confrontos com o passado em estradas de terra que levam até casas de "telhas quebradas, janelas abertas, o mato cobrindo as passagens, o ar escuro com cheiro de mofo". Entre achados e sentenças, ("A coragem é uma espécie de desamor, um desapego"), Braff apresenta narrativas concisas, especialmente fortes em contos como "Dois plátanos" e "No cruzamento". Vencedor do Prêmio Jabuti de Livro do Ano- Ficção em 2000 com À sombra do cipreste, o gaúcho da pequena Taquara concedeu, por e-mail, entrevista ao Pensar.


O que une os contos de Amor passageiro?

O conto, por definição, é uma narrativa literária com início, meio e fim (não obrigatoriamente nesta ordem), mas com isso se estabelece sua independência como objeto artístico. Ele é produto de um momento, uma experiência, um estado. A organização dos contos em um livro pode ligá-los por temas, personagens, espaços, tipos de conflitos, enfim, por variados vínculos. Mas isso não é condição sine qua non para juntá-los. Os contos de Amor passageiro foram escritos em períodos e condições diversos (isso por mais de uma década) com incursões pelo realismo mágico ontológico, realismo mágico metafísico (segundo a categorização de Splinder) ou simplesmente realismo. Há, claro, entre os contos, mesmo com o uso de técnicas narrativas diversas, temas como a morte, a solidão, mas sobretudo alguma sensação de perda, exceto, claro, para o conto Proto-colo, que é uma outra história, teve intenção diferente, é uma experiência diferente. 

Há uma citação de Lucíola, de José de Alencar, na abertura de um dos contos. É um dos escritores de sua predileção? Quais autores brasileiros de outros séculos sempre merecem releituras?

Comecei meu caminho de leitor de literatura adulta pelo José de Alencar e não há como não encontrar nele um de nossos mais bem acabados romancistas. Que não só pelo projeto (urbanos, indianistas e históricos), aquela consciência de uma obra nacional em construção, mas também como trabalhou em seus romances uma língua que se diferenciava da língua portuguesa de Portugal. A organização estrutural de seus romances são verdadeiras aulas de técnicas do romance. Mas, além de Alencar, Machado de Assis, Mário de Andrade, Guimarães Rosa, Clarice Lispector são autores brasileiros que não podem ser jamais esquecidos.

Em muitos contos, os personagens estão em movimento. Em um deles, "A última viagem", há uma locomotiva que "levara pessoas da cidade para outras cidades, pessoas que atravessaram oceanos, cortaram os céus, circundaram o mundo". Como as vidas em trânsito podem inspirar as suas criações?

Minha biografia, até determinado momento, cruza com estações de trens, rodoviárias, navios e portos, mudanças em cima de caminhões. Até os vinte anos já tinha morado em umas dez cidades. Não sei até que ponto tal circunstância me influenciou na construção de minhas narrativas. Sei que o transitório, o passageiro me fascinam, a realidade líquida é onde me sinto viver.

"A coragem é uma espécie de desamor, de desapego". Esta coragem, baseada no desapego, também é necessária para escrever ficção no Brasil?

Provavelmente. No meu caso, não tenho dúvida. Como autor, eu crio mundos, habito neles, mas desde sempre estou sabendo que uma hora eu volto e abandono tudo. Outro aspecto, o mais prático, ficcionista, no Brasil, é o amor ao desapego. Se o propósito é fazer arte literária, o autor precisa esquecer as necessidades materiais. Ele precisa de outra atividade, uma atividade paralela, para sobreviver.

O que mudou em sua trajetória como escritor depois de ganhar o Prêmio Jabuti de Livro do Ano em 2000 com a coletânea À sombra do cipreste?

Mudou o entorno da literatura, não ela. A vida social do escritor, seu relacionamento com o mundo editorial, suas relações com a mídia. Na verdade, a escrita continua a mesma, mas as decorrências da escrita, ou seja, aquilo que o torna existente como escritor, isso tudo muda inteiramente. O início de uma carreira literária no Brasil é extremamente difícil. Sem que algo de extraordinário aconteça, sem que haja uma explosão, as portas das editoras estarão todas fechadas. Sem o Jabuti é provável que tivesse escrito os 25 livros que tenho publicados, talvez até mais, mas estariam todos inéditos. E aí aquele tripé do Antonio Candido: autor –  obra – público.

Em entrevista ao projeto Como eu escrevo, o senhor menciona o desejo de escrever um romance histórico com base na vida de Bárbara Heliodora. Como surgiu esse interesse? O que seria necessário para concretizá-lo?

O interesse surgiu do conhecimento fragmentário da história da Bárbara. Em criança cantávamos, lá no fundo do Rio Grande, alguma coisa assim: "Bárbara Bela/do norte estrela/que o meu caminho sabes guiar/De ti ausente/triste somente/as horas passo/a suspirar". Quando descobri a origem daquilo fiquei todo eriçado. A Bárbara era aquela, a esposa de Alvarenga Peixoto. Sua vida, suas lutas, o papel que desempenhou na vida dos inconfidentes, tudo isso me atraiu muito. Bem, o que seria necessário: a possibilidade de passar uns oito meses ou mais em Ouro Preto pesquisando. O máximo que consegui foi uma semana

Como a vida em uma pequena cidade do interior brasileiro influencia a sua literatura?
Devo muito às dezenas de cidades pequenas em que vivi. Existe uma experiência de cidade pequena impossível em uma metrópole. Na cidade pequena, por exemplo, o candidato a prefeito vem conversar com você, o farmacêutico te telefona se você não aparece para aquela injeção, enfim, as relações são de primeiro grau, quando não, de segundo. Tudo é mais próximo, inclusive as pessoas. Há quem ache sufocante, eu tiro algum proveito.

De onde vêm as suas histórias?

Pescoço de coruja. O olhar roda os 360º. As histórias acontecem à nossa volta, o que falta a gente inventa, distorce, contorce, faz até realismo mágico.


Trecho do conto “Dois plátanos”


"Não é um retorno definitivo. Vão ficar decepcionados, mas não posso passar de um mês, as obrigações à minha espera. A gente vai assumindo, sem perceber vai acumulando, bem, mas é pista simples e, quando vê, vive em função do trabalho. Mas se não fosse assim? Cara doido, ultrapassou o caminhão na faixa contínua, é pista simples e tenho de diminuir a marcha, como eles?, uns sacos de mamona e outros de piretro, umas notinhas embrulhadas num lenço e um par de sapatos no fim do ano. Tudo asfaltado, pois não é que o progresso?!
As portas que eu tive de arrombar, então, nisso ninguém pensa? Os anos. Não podia contar como vivia, seria pura tristeza. Apesar de tudo."

sábado, 4 de abril de 2020

COMPRE UM E GANHE OUTRO NA REFORMATÓRIO

Começou quarta (1), e vai até terça (7), a promoção compre um e ganhe outro da Editora Reformatório.

O segundo livro é escolhido pela própria editora, mas não se preocupem: eles só editam coisa boa.

Para quem não sabe, Menalton tem dois livros lançados pela Reformatório:

Amor Passageiro, de 2019 (coletânea de contos)

Além do Rio dos Sinos, de 2020 (o mais novo romance do autor, lançado agora em março)

Para acessar a loja e escolher o livro que quer comprar, clique aqui. Para os livros de Menalton, clique diretamente nos nomes dos livros (acima).


sexta-feira, 3 de abril de 2020

CONTOS CORRENTES

O conto desta sexta é do próprio Menalton.

Resolvemos publicá-lo para que você possa degustar a coletânea AMOR PASSAGEIRO, lançada pela Editora Reformatório.

Lúcia, a cortesã


Tu me purificaste ungindo-me com os teus lábios. Tu me
santificaste com o teu primeiro olhar! Nesse momento
Deus sorriu e o consórcio de nossas almas se fez no
seio do Criador.
José de Alencar, Lucíola.

Lúcia era seu nome de guerra. Na pia batismal chamaram-lhe Maria da Glória, nome que usou até os dezessete anos, época em que as circunstâncias de sua vida forçaram-na a esquecer sua madrinha, a Nossa Senhora da Glória.

Até aquela idade, teve uma vida comum, de menina que estuda apenas o suficiente enquanto espera o amadurecimento para tornar-se esposa e mãe, uma dona de casa para ser acrescentada como um número nas estatísticas demográficas. Na escola, durante o Ensino Médio, experimentou cigarro e sentiu a boca muito amarga, ficou duas ou três vezes com meninos da classe, conhecendo alguns amassos masculinos em exercício de maturidade. Repetiu, até então, o que via e ouvia em sua volta. Nunca tivera vocação para rebeldias além daquelas de ficar um almoço sem comer, para a aflição da mãe, por não lhe terem permitido passar o fim de semana em excursão com os colegas de classe.

O pai foi sempre um homem trabalhador, taciturno mas honesto, cumpridor, sem mancha alguma em sua ficha. Enfim, trabalhar pouco mais de vinte anos na mesma empresa era façanha admirada por parentes e amigos. Um dia, entretanto, a empresa teve de enxugar-se e enxugou-se nas costas de alguns de seus empregados com toalha infelizmente muito áspera. Pairava sobre os lares uma fumaça ameaçando crise mundial e o pai de Maria da Glória inchou o dedo médio batendo em portas fechadas.

Já fazia vários meses que a tristeza gania pelos arredores da casa de Maria da Glória,onde o pai desempregado começava a perder a esperança e a mãe não saía mais da cama, sem que algum médico descobrisse o que era aquilo. Seu irmão, com idade orçando aí pelos dez anos, era ainda considerado economicamente inútil, a não ser pelo fato de continuar sendo, por absoluta necessidade, um consumidor. Sua irmã, a caçula, estava na idade da coqueluche e ainda não sentia vergonha de andar nua por dentro de casa.

O dinheiro, contado por dedos trêmulos, tinha sido repartido em duas metades: uma para comida e a outra para remédio.

− Quem gastar em supérfluo vai levar paulada.

Maria da Glória, com a idade da gastação, recolheu para si a ameaça, mas ficou calada no seu canto. A família não podia ficar sem comer nem sua mãe podia dispensar a farmácia.

Aos poucos, foram-se esvaindo as duas metades, de modo lento, mas irreversível. Até o dia em que não tiveram mais nada sobre a mesa, e os remédios da mãe acabaram-se antes do fim do tratamento.

Maria da Glória teve uma explosão de desespero, como toda a família, só que ela resolveu reagir e saiu para a rua com uma bolsinha na mão. Tinha acabado de anoitecer e seu jantar, como o de toda a família, tinha sido uma sopa de couve, com as últimas folhas de um pé que descobriram escondido no meio do mato no fundo do quintal.

Sinceramente preocupados, os membros da família perguntaram, Aonde você vai?, Aonde você vai?, aonde você vai? Todos eles gritaram atrás de Maria da Glória enquanto suas costas sumiam no escuro da rua pobre.

Tarde da noite, quando Maria da Glória voltou, trazia comida e remédios, um sorriso cansado, olheiras escuras e um olhar medonho de quem tinha visto o mundo.

Meia hora depois, todos se sentaram à mesa, menos a mãe, que ainda não conseguia levantar-se, apesar de um pouco melhor. O pai, no exercício de sua paternidade, dividiu a comida equitativamente entre ele e os filhos. Mas havia uma sacola cheia e o homem desistiu de racionar o alimento. Todos comeram como se estivessem passando fome nos últimos tempos. Era uma alegria, ver a mesa farta, uma sacola ainda cheia, e a mãe tomando seus remédios.

Saciada a fome da família, o pai cobriu a filha mais velha com seu olhar mais severo.

− E você, pode me dizer onde foi que arranjou dinheiro pra comprar tudo isso?

Os irmãos mais novos continuaram sentados à mesa apenas por imitação. Agradava-lhes repetir tudo o que os mais velhos fizessem. Nenhum dos dois menores tinha condições de pensar sobre a origem daquela comida ou com que dinheiro ela fora comprada. Ficaram, contudo, assustados, quando a irmã mais velha começou a chorar, prevendo o que estava por acontecer.

− Fora desta casa, vagabunda! Não podem viver sob o mesmo teto um homem honrado e uma vagabunda como você.

Meia hora mais tarde, as duas crianças chorando no quarto, Maria da Glória saiu pela porta da frente com uma trouxa pequena com tudo que era seu. Ao chegar à calçada Maria da Glória deixou de existir. Quem faria, dali pra frente, verdadeiro furor nas ruas e avenidas centrais, era Lúcia, uma bela garota de dezessete anos, que ninguém sabia de onde aparecera.

Meses mais tarde, quase matou de susto um antigo colega de classe, quando foi abordada e virou-se.

− Mas todos dizem que você morreu, Maria da Glória.

− Sim, a Maria da Glória morreu. Agora sou Lúcia, a cortesã. Te interessa?

O garoto ficou muito atrapalhado, porque ver sua ex-colega naquela situação causava prejuízo enorme a sua libido.

− Claro que não. Mas como acreditar que você está vendendo seu corpo, Maria da Glória?!

Ela estava escorada em um poste de luz, na frente de um posto de combustível. Era uma esquina movimentada e muitos automóveis entravam no posto para examinar melhor aquela garota linda escorada num poste. Muitos deles tornavam-se fregueses − não só do posto.

− Bem, primeiro, que Maria da Glória não existe mais. Eu sou a Lúcia, entendeu?

Segundo, você está muito enganado porque eu não vendo coisa nenhuma. Vocês não pagam pra gozar? Eu só faço o contrário: pra gozar eu cobro.

O ex-colega ficou escandalizado com o cinismo de Lúcia, por quem já sofrera algumas horas de insônia, e despediu-se despeitado, o coração cheio de ressentimento.

Milhares de motoristas conheciam o poste da Lúcia, bem na esquina do posto, local que ela escolhera para seu ponto.

Ao completar um ano como Lúcia, a família estava bem. A mãe curada, os irmãos bem nutridos frequentando a escola, o pai novamente empregado. Ela sempre dava um jeito de enfiar algum dinheiro nas mãos da mãe, que sofria apertos no peito de tanta saudade e bendizia aquela filha que tinha caído para levantar a mãe.
 
Mesmo quando o dinheiro começou a escassear, a mãe continuou bendizendo sua Maria da Glória e sentindo muita saudade, preferindo pensar que a filha estava no céu.

E o dinheiro começou a escassear quando ao cabo de dois anos já não era mais possível gozar, e Lúcia sentia dores, sofria febres, tratava de corrimentos, e já passara por algumas doenças venéreas. Com tudo isso, a não ser nos dias de chuva, lá estava Lúcia escorada no mesmo poste, esperando fregueses cada vez mais raros.

Suas roupas envelheceram, sua pintura borrava o rosto, manchas de feridas se espalhavam por braços e pernas. Aviltada, como estava, seu preço despencava sem parar.

Já fazia uma semana que não recebera um só cliente, e a fome começava a trotar pra cima e pra baixo pela frente do barraco onde morava. Uma noite, mesmo com chuva Lúcia assumiu seu posto no poste. Ela teve uma explosão de desespero e enfrentou o aguaceiro. As horas passaram, os motoristas passaram e a noite passou. Na manhã seguinte, os funcionários do posto disseram ao gerente que havia uma mulher grudada naquele poste da esquina. Receberam ordem de chamar a polícia, que horas mais tarde tentou, sem sucesso, arrancá-la dali. Por fim, desistiram, e o poste está lá até hoje
esperando por algum cliente.

Gostou do conto? Que tal ter acesso a outros adquirindo o livro "Amor Passageiro" no site da Editora Reformatório? Se você fizer isso até o dia 7, ganhará um livro surpresa de presente e estará ajudando uma editora pequena a sobreviver à quarentena. 

Para comprar, clique aqui.




terça-feira, 31 de março de 2020

UM CONTO PARA A SUA QUARENTENA

Para aumentar suas opções de leitura nesta terça-feira de isolamento social, postamos, a seguir, um conto do livro "Amor Passageiro", lançado pela Editora Reformatório


Um caso de paixão

(Menalton Braff)


As perguntas assim como o doutor faz são irrelevantes, porque seguem um padrão. Com minhas respostas, o senhor não vai ficar sabendo muito de mim e de minhas razões para o crime que cometi. Melhor ligar um gravador para eu prestar meu depoimento, livre, corrido, de acordo com meu pensamento. Ah, já está ligado? Sei muito bem o que significa amor incestuoso, como sei também que a sociedade o recrimina, a lei o criminaliza e as religiões, todas elas, repudiam-no por ser pecado, apesar de que os filhos de Adão e Eva tiveram de fornicar para o crescimento da humanidade, não é mesmo, doutor? Pois de tudo isso eu sei, mas quem manda em mim é meu corpo, e o que me vem de fora não me abate: minha regência sou eu mesma. Algum problema com o gravador, doutor? Ah, não! Mas o senhor mexeu nele. Só o volume, então?! Bem, se o doutor não se importa, eu gostaria que fechasse aquela cortina ali atrás, porque o sol bate no vidro do armário e o reflexo me atrapalha a visão. Sim, muito obrigada. Então, tive o Ernesto com quinze anos de idade, e meu noivo, na época, devia andar futricando a vida de alguma outra adolescente neste largo mundo que ninguém podia imaginar onde fosse. Não, foi logo que eu falei da minha gravidez. Já no dia seguinte não apareceu. Aliás, nunca mais apareceu. Na saída ele disse: − Vou ali até a esquina comprar cigarro. Eu nem fiquei esperando, pois imaginei que a minha revelação tivesse assustado o infeliz. Logo que me senti capaz, arranjei emprego e fui trabalhar. Eu digitava como gente grande e isso me ajudou a vida toda. De manhã, deixava o Ernesto na creche e à tarde, depois do expediente, ia buscar ele. Assim foi durante alguns anos. Quando chegou a época da escola, uma vizinha ficava com ele à tarde porque tinha um filho da mesma idade e quem cuida de um, cuida de dois, o senhor não concorda? Pois então. Ele crescia bem e ficava cada vez mais bonito. Eu também, com trinta e três anos de idade, todo mundo dizia que parecia ter uns vinte. Malhava na academia três vezes por semana, tinha muita saúde, cuidava muito deste rosto que Deus me deu, que segundo algumas pessoas é um rosto de dar inveja a muita miss que anda por aí. Antes do banho, parava nua na frente do espelho. Ah, doutor, havia um demônio dentro de mim. Minhas mãos me percorriam o corpo, e meus gemidos eram de puro gozo. Todos aqueles anos sem botar homem nenhum na minha cama, odiando a raça deles todos com a imensa mágoa de grávida abandonada. O Ernesto, então com dezoito anos, era um homem feito, com o rosto mais bonito que eu já tinha visto e o corpo bem feito, musculoso, mas tudo muito bem proporcionado. No serviço, ele arranjou uma namorada. Moça linda, doutor, muito linda. E os dois pareciam apaixonados. Pelo menos o Ernesto me dava essa impressão. Uma noite meu filho me chegou lá em casa desesperado, chorando, parecendo que estava pra se desmanchar. Ela está com outro, minha mãe, me abandonou. Ah, doutor, o senhor acha que tais detalhes não interessam? Foi isso que o senhor quis dizer? Ah, não! Pois então, ali mesmo na cozinha, onde a gente estava, botei meu filho no colo, afaguei seus cabelos, pedi que ele parasse de chorar, que o mundo é grande e mulher sobrava por aí, disse essas bobagens com que desejava acalmar e consolar meu menino. Eu abraçava o Ernesto com fúria, querendo puxar pra mim o sofrimento dele. Quis lamber as lágrimas que rolavam no rosto dele e, ao sentir minha boca perto da sua, ele não resistiu e colou seus lábios nos meus, com fúria, e não me largou mais, até que eu senti um vulcão em erupção dentro de mim, um vulcão que desceu da boca e foi parar lá onde o diabo colocou a maçã. Dali saímos já sem roupa, abraçados, e no meu quarto caímos na cama. Eu urrava, doutor, sem me reconhecer, porque aquele homem que tinha saído de dentro de mim me devolvia o gozo de todos os anos em que passei gozando com as próprias mãos. Horas e horas em que cochilávamos para superar o cansaço, e, entre um cochilo e outro, voltávamos ao sexo com uma sede que parecia nunca mais saciar-se. No dia seguinte, nenhum dos dois compareceu ao trabalho, e ao cabo de três dias, com pequenas interrupções para um copo de leite, um pedaço de pão, e algumas vezes para alguma outra necessidade fisiológica, resolvemos descansar. Então foi fácil, no emprego, alegar uma gripe muito violenta, porque nosso aspecto não nos desmentia. No quarto dia, tivemos uma conversa, ali mesmo na cadeira, ao lado da mesa da cozinha, onde tudo havia começado. E juramos, os dois, que até o fim de nossas vidas não teríamos mais ninguém. E isso significava que seríamos fieis para sempre. Juramos e fomos para a cama, mesmo antes de jantar. Hoje estou com cinquenta e três anos, ele faria trinta e oito no mês que vem. Algum tempo atrás comecei a desconfiar do Ernesto porque ele começou a me procurar cada vez menos. Até que um dia me apareceu lá em casa umazinha dos seus vinte anos, bonita, por sinal, avisando meu filho de que estava grávida de quatro meses e exigindo que ele assumisse a paternidade. Falou até em casamento. O resto da história o senhor já sabe, doutor.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

CONTOS CORRENTES

O conto da última sexta do ano é do próprio Menalton e integra seu livro "Amor Passageiro", lançado pela Editora Reformatório.

Um caso de paixão

(Menalton Braff)


As perguntas assim como o doutor faz são irrelevantes, porque seguem um padrão. Com minhas respostas, o senhor não vai ficar sabendo muito de mim e de minhas razões para o crime que cometi. Melhor ligar um gravador para eu prestar meu depoimento, livre, corrido, de acordo com meu pensamento. Ah, já está ligado? Sei muito bem o que significa amor incestuoso, como sei também que a sociedade o recrimina, a lei o criminaliza e as religiões, todas elas, repudiam-no por ser pecado, apesar de que os filhos de Adão e Eva tiveram de fornicar para o crescimento da humanidade, não é mesmo, doutor? Pois de tudo isso eu sei, mas quem manda em mim é meu corpo, e o que me vem de fora não me abate: minha regência sou eu mesma. Algum problema com o gravador, doutor? Ah, não! Mas o senhor mexeu nele. Só o volume, então?! Bem, se o doutor não se importa, eu gostaria que fechasse aquela cortina ali atrás, porque o sol bate no vidro do armário e o reflexo me atrapalha a visão. Sim, muito obrigada. Então, tive o Ernesto com quinze anos de idade, e meu noivo, na época, devia andar futricando a vida de alguma outra adolescente neste largo mundo que ninguém podia imaginar onde fosse. Não, foi logo que eu falei da minha gravidez. Já no dia seguinte não apareceu. Aliás, nunca mais apareceu. Na saída ele disse: − Vou ali até a esquina comprar cigarro. Eu nem fiquei esperando, pois imaginei que a minha revelação tivesse assustado o infeliz. Logo que me senti capaz, arranjei emprego e fui trabalhar. Eu digitava como gente grande e isso me ajudou a vida toda. De manhã, deixava o Ernesto na creche e à tarde, depois do expediente, ia buscar ele. Assim foi durante alguns anos. Quando chegou a época da escola, uma vizinha ficava com ele à tarde porque tinha um filho da mesma idade e quem cuida de um, cuida de dois, o senhor não concorda? Pois então. Ele crescia bem e ficava cada vez mais bonito. Eu também, com trinta e três anos de idade, todo mundo dizia que parecia ter uns vinte. Malhava na academia três vezes por semana, tinha muita saúde, cuidava muito deste rosto que Deus me deu, que segundo algumas pessoas é um rosto de dar inveja a muita miss que anda por aí. Antes do banho, parava nua na frente do espelho. Ah, doutor, havia um demônio dentro de mim. Minhas mãos me percorriam o corpo, e meus gemidos eram de puro gozo. Todos aqueles anos sem botar homem nenhum na minha cama, odiando a raça deles todos com a imensa mágoa de grávida abandonada. O Ernesto, então com dezoito anos, era um homem feito, com o rosto mais bonito que eu já tinha visto e o corpo bem feito, musculoso, mas tudo muito bem proporcionado. No serviço, ele arranjou uma namorada. Moça linda, doutor, muito linda. E os dois pareciam apaixonados. Pelo menos o Ernesto me dava essa impressão. Uma noite meu filho me chegou lá em casa desesperado, chorando, parecendo que estava pra se desmanchar. Ela está com outro, minha mãe, me abandonou. Ah, doutor, o senhor acha que tais detalhes não interessam? Foi isso que o senhor quis dizer? Ah, não! Pois então, ali mesmo na cozinha, onde a gente estava, botei meu filho no colo, afaguei seus cabelos, pedi que ele parasse de chorar, que o mundo é grande e mulher sobrava por aí, disse essas bobagens com que desejava acalmar e consolar meu menino. Eu abraçava o Ernesto com fúria, querendo puxar pra mim o sofrimento dele. Quis lamber as lágrimas que rolavam no rosto dele e, ao sentir minha boca perto da sua, ele não resistiu e colou seus lábios nos meus, com fúria, e não me largou mais, até que eu senti um vulcão em erupção dentro de mim, um vulcão que desceu da boca e foi parar lá onde o diabo colocou a maçã. Dali saímos já sem roupa, abraçados, e no meu quarto caímos na cama. Eu urrava, doutor, sem me reconhecer, porque aquele homem que tinha saído de dentro de mim me devolvia o gozo de todos os anos em que passei gozando com as próprias mãos. Horas e horas em que cochilávamos para superar o cansaço, e, entre um cochilo e outro, voltávamos ao sexo com uma sede que parecia nunca mais saciar-se. No dia seguinte, nenhum dos dois compareceu ao trabalho, e ao cabo de três dias, com pequenas interrupções para um copo de leite, um pedaço de pão, e algumas vezes para alguma outra necessidade fisiológica, resolvemos descansar. Então foi fácil, no emprego, alegar uma gripe muito violenta, porque nosso aspecto não nos desmentia. No quarto dia, tivemos uma conversa, ali mesmo na cadeira, ao lado da mesa da cozinha, onde tudo havia começado. E juramos, os dois, que até o fim de nossas vidas não teríamos mais ninguém. E isso significava que seríamos fieis para sempre. Juramos e fomos para a cama, mesmo antes de jantar. Hoje estou com cinquenta e três anos, ele faria trinta e oito no mês que vem. Algum tempo atrás comecei a desconfiar do Ernesto porque ele começou a me procurar cada vez menos. Até que um dia me apareceu lá em casa umazinha dos seus vinte anos, bonita, por sinal, avisando meu filho de que estava grávida de quatro meses e exigindo que ele assumisse a paternidade. Falou até em casamento. O resto da história o senhor já sabe, doutor.

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

UM CONTO PARA SEU FIM DE SEMANA

Esta coluna reúne contos de Menalton Braff. O que escolhemos para hoje está publicado no livro Amor passageiro, lançado pela Editora Reformatório e já foi reproduzido pela revista Vício Velho.

Um caso de paixão


As perguntas assim como o doutor faz são irrelevantes, porque seguem um padrão. Com minhas respostas, o senhor não vai ficar sabendo muito de mim e de minhas razões para o crime que cometi. Melhor ligar um gravador para eu prestar meu depoimento, livre, corrido, de acordo com meu pensamento. Ah, já está ligado? Sei muito bem o que significa amor incestuoso, como sei também que a sociedade o recrimina, a lei o criminaliza e as religiões, todas elas, repudiam-no por ser pecado, apesar de que os filhos de Adão e Eva tiveram de fornicar para o crescimento da humanidade, não é mesmo, doutor? Pois de tudo isso eu sei, mas quem manda em mim é meu corpo, e o que me vem de fora não me abate: minha regência sou eu mesma. Algum problema com o gravador, doutor? Ah, não! Mas o senhor mexeu nele. Só o volume, então?! Bem, se o doutor não se importa, eu gostaria que fechasse aquela cortina ali atrás, porque o sol bate no vidro do armário e o reflexo me atrapalha a visão. Sim, muito obrigada. Então, tive o Ernesto com quinze anos de idade, e meu noivo, na época, devia andar futricando a vida de alguma outra adolescente neste largo mundo que ninguém podia imaginar onde fosse. Não, foi logo que eu falei da minha gravidez. Já no dia seguinte não apareceu. Aliás, nunca mais apareceu. Na saída ele disse: − Vou ali até a esquina comprar cigarro. Eu nem fiquei esperando, pois imaginei que a minha revelação tivesse assustado o infeliz. Logo que me senti capaz, arranjei emprego e fui trabalhar. Eu digitava como gente grande e isso me ajudou a vida toda. De manhã, deixava o Ernesto na creche e à tarde, depois do expediente, ia buscar ele. Assim foi durante alguns anos. Quando chegou a época da escola, uma vizinha ficava com ele à tarde porque tinha um filho da mesma idade e quem cuida de um, cuida de dois, o senhor não concorda? Pois então. Ele crescia bem e ficava cada vez mais bonito. Eu também, com trinta e três anos de idade, todo mundo dizia que parecia ter uns vinte. Malhava na academia três vezes por semana, tinha muita

sábado, 10 de agosto de 2019

"AMOR PASSAGEIRO", E SEU CONTO 'O AEROPORTO', NO CANAL "ACONTECE NOS LIVROS"

O escritor Whisner Fraga publicou, em seu canal "Acontece nos livros", no YouTube, um comentário em vídeo ao livro AMOR PASSAGEIRO, de Menalton Braff, lançado pela Editora Reformatório.

Em seguida, fez a leitura do conto "O aeroporto". Assista a seguir:

            

sábado, 29 de junho de 2019

DESAFIO AOS LEITORES DE "AMOR PASSAGEIRO"

Se você já leu "amor passageiro" e gosta de escrever, escolha o conto que mais lhe agrada e faça um comentário, ou até uma resenha. Publicaremos aqui no blog com crédito para você e link para seu site ou blog.

Os envios devem ser feitos para o e-mail menalton.braff@gmail.com , com seu nome completo e foto.

Aguardamos seus textos.

quinta-feira, 13 de junho de 2019

'AMOR PASSAGEIRO' GANHA RESENHA NO 'GOODREADS'


A historiadora e escritora Alessandra Barcelar escreveu e postou, no site de leitura GOODREADS, uma resenha sobre o livro Amor passageiro, lançado este ano pela Editora Reformatório

Alessandra atua na área de Gestão Hospitalar e Economia de Saúde. Como escritora, já publicou em revistas literárias do Brasil e de Portugal. Além disso, tem um conto na Antologia Mitos Modernos I vencedora do o Prêmio Le Blanc de Arte sequencial, Animação e Literatura Fantástica.

RESENHA

(Alessandra Barcelar)

"Toma teus personagens pela mão e leva-os firmemente até o final, sem atentar senão para o caminho que traçaste. Não te distrai vendo o que eles não podem ver ou não lhes importa. Não abuse do leitor. Um conto é uma novela depurada de excessos. Considere isso uma verdade absoluta, ainda que não seja."

Nada melhor que a citação de um mestre - (Quiroga), para falar de outro mestre, que a meu ver é o caso de Menalton Braff.

O livro Amor Passageiro é constituído de 24 contos, e permeiam as perdas, saudade, dor, relação famililares, narcisismo, solidão.

Destaco alguns contos que me inquietaram pela tensão na leitura:

*Nossas Perdas- é um conto breve, narra a relação de um menino e sua irmazinha, o conto causa uma angustia pelo cuidado extremo, a morte levando ao climáx do desfecho desse "amor passageiro".

*Mais de Mil Quilômetros - um dos meus contos preferidos, o conto é uma personificação da angústia, conto para leitor/a sensível, um homem recebe uma ligação pelo celular em meio a uma

sábado, 8 de junho de 2019

ENCONTRO COM ESTUDANTES EM PONTAL

A noite de ontem foi dedicada aos jovens do Colégio SER COC, em Pontal.  Primeiro uma conversa sobre literatura e o discurso do professor Osvaldo Félix sobre o amor - tema do livro de contos que Menalton lançou em fevereiro pela Editora Reformatório: "Amor passageiro".

Depois, a noite de autógrafos do livro. Os jovens fizeram fila para receber a dedicatória do escritor. As imagens abaixo falam mais que estas palavras.


























quinta-feira, 6 de junho de 2019

O 'AMOR PASSAGEIRO' EM PONTAL

Será amanhã, das 19h30 às 21h30, o encontro de alunos e familiares do Colégio SER COC, de Pontal, com Menalton Braff. 

Além da palestra do escritor sobre sua obra, haverá noite de autógrafos do seu mais recente livro de contos Amor passageiro, lanado este ano pela Editora Reformatório.

Durante o encontro, o professor Osvaldo Félix discursará sobre o tema "Amor".

sábado, 1 de junho de 2019

PÉ NA ESTRADA

Foto: Editora Reformatório (divulgação)
A próxima noite de autógrafos do livro "Amor passageiro" será na Colégio Integrado Ser COC, no município de Pontal.

Foram convidados para o evento, alunos do nono ano e do Ensino Médio.

Antes dos autógrafos, Menalton conversará com os alunos sobre o conjunto de sua obra.

sábado, 25 de maio de 2019

MENALTON BRAFF E AMOR PASSAGEIRO NO JORNAL ESTADO DE MINAS

O jornal Estado de Minas, de Belo Horizonte, acaba de publicar uma entrevista  de página com Menalton Braff. O assunto em pauta foi o último livro do escritor: o volume de contos "Amor passageiro", lançado em fevereiro pela Editora Reformatório. 

Acesse a publicação original              

VIDAS EM TRÂNSITO


Vencedor do Jabuti em 2000, o gaúcho Menalton Braff volta com livro de contos sobre personagens em deslocamento no tempo e no espaço

EM Estado de Minas

Personagens em deslocamento – no espaço, no tempo – movem os contos de Amor passageiro. Lançado pela editora paulista Reformatório, o 25º livro de Menalton Braff tem viagens sem volta, locomotivas nostálgicas, entroncamentos, boleias de caminhão, saguões de aeroportos. Homens à mercê da "vertigem dos quilômetros" e de confrontos com o passado em estradas de terra que levam até casas de "telhas quebradas, janelas abertas, o mato cobrindo as passagens, o ar escuro com cheiro de mofo". Entre achados e sentenças, ("A coragem é uma espécie de desamor, um desapego"), Braff apresenta narrativas concisas, especialmente fortes em contos como "Dois plátanos" e "No cruzamento". Vencedor do Prêmio Jabuti de Livro do Ano- Ficção em 2000 com À sombra do cipreste, o gaúcho da pequena Taquara concedeu, por e-mail, entrevista ao Pensar.

O que une os contos de Amor passageiro?

O conto, por definição, é uma narrativa literária com início, meio e fim (não obrigatoriamente nesta ordem), mas com isso se estabelece sua independência como objeto artístico. Ele é produto de um momento, uma experiência, um estado. A organização dos contos em um livro pode ligá-los por temas, personagens, espaços, tipos de conflitos, enfim, por variados vínculos. Mas isso não é condição sine qua non para juntá-los. Os contos de Amor passageiro foram escritos em períodos e condições diversos (isso por mais de uma década) com incursões pelo realismo Personagens em deslocamento – no espaço, no tempo – movem os contos de Amor passageiro. Lançado pela editora paulista Reformatório, o 25º livro de Menalton Braff tem viagens sem volta, locomotivas nostálgicas, entroncamentos, boleias de caminhão, saguões de aeroportos. Homens à mercê da "vertigem dos quilômetros" e de confrontos com o passado em estradas de terra que levam até casas de "telhas quebradas, janelas abertas, o mato cobrindo as passagens, o ar escuro com cheiro de mofo". Entre achados e sentenças, ("A coragem é uma espécie de desamor, um desapego"), Braff apresenta narrativas concisas, especialmente fortes em contos como "Dois plátanos" e "No cruzamento". Vencedor do Prêmio Jabuti de Livro do Ano- Ficção em 2000 com À sombra do cipreste, o gaúcho da pequena Taquara concedeu, por e-mail, entrevista ao Pensar.


O que une os contos de Amor passageiro?

O conto, por definição, é uma narrativa literária com início, meio e fim (não obrigatoriamente nesta ordem), mas com isso se estabelece sua independência como objeto artístico. Ele é produto de um momento, uma experiência, um estado. A organização dos contos em um livro pode ligá-los por temas, personagens, espaços, tipos de conflitos, enfim, por variados vínculos. Mas isso não é condição sine qua non para juntá-los. Os contos de Amor passageiro foram escritos em períodos e condições diversos (isso por mais de uma década) com incursões pelo realismo mágico ontológico, realismo mágico metafísico (segundo a categorização de Splinder) ou simplesmente realismo. Há, claro, entre os contos, mesmo com o uso de técnicas narrativas diversas, temas como a morte, a solidão, mas sobretudo alguma sensação de perda, exceto, claro, para o conto Proto-colo, que é uma outra história, teve intenção diferente, é uma experiência diferente. 

Há uma citação de Lucíola, de José de Alencar, na abertura de um dos contos. É um dos escritores de sua predileção? Quais autores brasileiros de outros séculos sempre merecem releituras?

Comecei meu caminho de leitor de literatura adulta pelo José de Alencar e não há como não encontrar nele um de nossos mais bem acabados romancistas. Que não só pelo projeto (urbanos, indianistas e históricos), aquela consciência de uma obra nacional em construção, mas também como trabalhou em seus romances uma língua que se diferenciava da língua portuguesa de Portugal. A organização estrutural de seus romances são verdadeiras aulas de técnicas do romance. Mas, além de Alencar, Machado de Assis, Mário de Andrade, Guimarães Rosa, Clarice Lispector são autores brasileiros que não podem ser jamais esquecidos.

Em muitos contos, os personagens estão em movimento. Em um deles, "A última viagem", há uma locomotiva que "levara pessoas da cidade para outras cidades, pessoas que atravessaram oceanos, cortaram os céus, circundaram o mundo". Como as vidas em trânsito podem inspirar as suas criações?

Minha biografia, até determinado momento, cruza com estações de trens, rodoviárias, navios e portos, mudanças em cima de caminhões. Até os vinte anos já tinha morado em umas dez cidades. Não sei até que ponto tal circunstância me influenciou na construção de minhas narrativas. Sei que o transitório, o passageiro me fascinam, a realidade líquida é onde me sinto viver.

"A coragem é uma espécie de desamor, de desapego". Esta coragem, baseada no desapego, também é necessária para escrever ficção no Brasil?

Provavelmente. No meu caso, não tenho dúvida. Como autor, eu crio mundos, habito neles, mas desde sempre estou sabendo que uma hora eu volto e abandono tudo. Outro aspecto, o mais prático, ficcionista, no Brasil, é o amor ao desapego. Se o propósito é fazer arte literária, o autor precisa esquecer as necessidades materiais. Ele precisa de outra atividade, uma atividade paralela, para sobreviver.

O que mudou em sua trajetória como escritor depois de ganhar o Prêmio Jabuti de Livro do Ano em 2000 com a coletânea À sombra do cipreste?

Mudou o entorno da literatura, não ela. A vida social do escritor, seu relacionamento com o mundo editorial, suas relações com a mídia. Na verdade, a escrita continua a mesma, mas as decorrências da escrita, ou seja, aquilo que o torna existente como escritor, isso tudo muda inteiramente. O início de uma carreira literária no Brasil é extremamente difícil. Sem que algo de extraordinário aconteça, sem que haja uma explosão, as portas das editoras estarão todas fechadas. Sem o Jabuti é provável que tivesse escrito os 25 livros que tenho publicados, talvez até mais, mas estariam todos inéditos. E aí aquele tripé do Antonio Candido: autor –  obra – público.

Em entrevista ao projeto Como eu escrevo, o senhor menciona o desejo de escrever um romance histórico com base na vida de Bárbara Heliodora. Como surgiu esse interesse? O que seria necessário para concretizá-lo?

O interesse surgiu do conhecimento fragmentário da história da Bárbara. Em criança cantávamos, lá no fundo do Rio Grande, alguma coisa assim: "Bárbara Bela/do norte estrela/que o meu caminho sabes guiar/De ti ausente/triste somente/as horas passo/a suspirar". Quando descobri a origem daquilo fiquei todo eriçado. A Bárbara era aquela, a esposa de Alvarenga Peixoto. Sua vida, suas lutas, o papel que desempenhou na vida dos inconfidentes, tudo isso me atraiu muito. Bem, o que seria necessário: a possibilidade de passar uns oito meses ou mais em Ouro Preto pesquisando. O máximo que consegui foi uma semana

Como a vida em uma pequena cidade do interior brasileiro influencia a sua literatura?
Devo muito às dezenas de cidades pequenas em que vivi. Existe uma experiência de cidade pequena impossível em uma metrópole. Na cidade pequena, por exemplo, o candidato a prefeito vem conversar com você, o farmacêutico te telefona se você não aparece para aquela injeção, enfim, as relações são de primeiro grau, quando não, de segundo. Tudo é mais próximo, inclusive as pessoas. Há quem ache sufocante, eu tiro algum proveito.

De onde vêm as suas histórias?

Pescoço de coruja. O olhar roda os 360º. As histórias acontecem à nossa volta, o que falta a gente inventa, distorce, contorce, faz até realismo mágico.


Trecho do conto “Dois plátanos”


"Não é um retorno definitivo. Vão ficar decepcionados, mas não posso passar de um mês, as obrigações à minha espera. A gente vai assumindo, sem perceber vai acumulando, bem, mas é pista simples e, quando vê, vive em função do trabalho. Mas se não fosse assim? Cara doido, ultrapassou o caminhão na faixa contínua, é pista simples e tenho de diminuir a marcha, como eles?, uns sacos de mamona e outros de piretro, umas notinhas embrulhadas num lenço e um par de sapatos no fim do ano. Tudo asfaltado, pois não é que o progresso?!
As portas que eu tive de arrombar, então, nisso ninguém pensa? Os anos. Não podia contar como vivia, seria pura tristeza. Apesar de tudo."



Amor passageiro

• De Menalton Braff.
• Editora Reformatório
• 160 páginas
• R$ 38,00.