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segunda-feira, 12 de novembro de 2018

CARTAS DO INTERIOR

O cordão dos puxa-sacos


Não posso dizer que seja uma peculiaridade brasileira, pois não sei como acontece lá fora, mas a verdade é que aqui, em nosso país, esse é um fenômeno extremamente comum. E no carnaval castigat ridendo mores não juro com os dedos em cruz quando e onde fez imenso sucesso a marchinha, mas me lembro de pessoas cantando-a, e se não é tudo lembrança minha, assim, de ter testemunhado os fatos, ao vivo (redundância), muita coisa ouvi dos mais velhos, que já exerciam a cidadania na época do Getúlio Vargas.

O puxa-saco geralmente fica na moita, espera, tem medo de tomar partido. Porque isso só vai ser feito com a certeza de ter entrado ao lado do vencedor.

Pois bem, já começam a aparecer as primeiras personagens descritas no parágrafo acima. Dobrando de ruas meio desertas, mergulhadas em sombras, e entrando na largura da avenida, lá vêm eles, mostrando o rosto com a máscara de alegria, fantasiados com as cores da moda, lambendo as partes íntimas do vencedor.

E o cordão dos puxa-sacos cada vez aumenta mais. Getúlio que o diga.

Outra característica do puxa-saco é a memória de elefante. Ele sabe quem estava onde, tem o mapa de todo mundo. Por isso e com isso o puxa-saco além de se declarar fiel, eternamente fiel, vencedor, tem também um tratamento carinhoso para seu séquito.