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sábado, 31 de maio de 2014

O FANTASMA VEM CHEGANDO

"O fantasma da segundona" ganha resenha na seção Nossas Letras do Portal GCN

Acesse a publicação original.

O fantasma da segundona
Por Vanessa Maranha 

Autor que transita com desenvoltura por variados gêneros literários, o gaúcho radicado em Serrana (SP) Menalton Braff, autor de projeção no meio literário e entre o público, acaba de lançar o livro infanto-juvenil O fantasma da segundona, pela editora FTD, com ilustrações de Caco Galhardo.

A literatura infanto-juvenil é um gênero de extrema importância e responsabilidade, pois funciona como um convite para a formação de novos leitores, incidindo num momento crucial do desenvolvimento humano. É desejável, portanto, que seja uma incidência salutar. Assim sendo, deve ser atraente, valer-se de signos-significantes que façam sentido à linguagem da faixa etária que pretende chamar; precisa confluir no mesmo sentido do trânsito psicológico desse público e refletir as preocupações, os anseios, os desejos desse leitor específico, sem justificar ou normalizar questões inadequadas, caminhando pela via de uma ética. Também não pode ser deliberadamente moralista. Daí a sua dificuldade, ao autor que produz literatura adulta.

Para encarar a empreitada, ele precisa visualizar o leitor, preocupar-se com um destinatário bem específico; desviar-se do tom professoral; dosar elementos para não ceder ao infantilismo que os adolescentes abominam, (porque, imagine!, proclamam a todo momento que não são mais crianças), e mimetizar-se num narrador interessante.

Menalton, também leitor do gênero, e que eleva Maria Clara Machado, por sua linguagem poética; Pedro Bandeira pela urdidura dos seus enredos e, antes e acima de todos, o Monteiro Lobato, autor de sua adolescência, corrobora: “escrever para jovens tem aspectos facilitadores e dificultadores. Há que se tomar o cuidado de não descer o nível conceitual e vocabular, sem cometer o contrário, fugindo muito das possibilidades de leitura do adolescente. É necessário contribuir para a expansão cultural e vocabular deles, sem tornar-se fastidioso e difícil a ponto de ser abandonado. Há também valores éticos que devem ser levados em conta. Recebo feedbacks com alguma frequência, quando me convidam para discutir o livro com alunos que o leram.”