Pra onde a gente vai?*(Metheus Arcaro)
A gente não morre. Fica encantado.
(Guimarães Rosa)
Tarsila entra às pressas. Sequer limpa os pezinhos no capacho como sempre fazia a pedido da mãe. Mamãe, corre aqui! Tô escrevendo, filha. O que foi? A menina incha os pulmões, o segundo grito sai mais encorpado, percorre os cômodos da casa e traz Laura à sala. Óculos na testa, caneta na boca, o rosto a transpirar maternidade. As pegadas de barro no piso de madeira não são notadas pela mulher como habitualmente seriam. Tarsila abre as mãos como se desvendasse as entranhas do mundo. O pássaro consegue ser menor que os dedos dela que crescem há apenas seis anos. Oh, deve ter caído do ninho, filha!
Para o bem-te- vi, naquele instante, respirar é uma tarefa difícil, talvez a mais difícil que a biologia já lhe impusera. Temos que levar ele ao médico de bichinhos, mamãe! Hoje é domingo, meu amor. Eles