Estamos iniciando hoje a coluna "Primeiro degrau" que vai publicar textos de abertura dos livros de Menalton Braff.
Parágrafos
iniciais do conto homônimo: A coleira no pescoço
Nenhum dos dois conseguia disfarçar os danos da velhice, que
suportavam em silenciosas e mútuas acusações. O velho parecia fazer um esforço
muito grande para puxar o cão ladeira acima. A sola seca de seus sapatos
esfolava o ladrilho da calçada arrancando-lhe um ruído ríspido, áspero, como de
alguma coisa que se arrasta, e isso irritava o cão, cuja cabeça se mantinha o
tempo todo virada para fora, o focinho apontando para o lado da rua. Seu corpo
todo era uma recusa tensa e escura e ele tinha o olhar aborrecido de quem não
pode esperar mais nada da vida além daquela coleira no pescoço, na ponta de uma
corrente.