Lúcia, a cortesã
Até aquela idade, teve uma vida comum, de menina que estuda apenas o
suficiente enquanto espera o amadurecimento para tornar-se esposa e mãe, uma
dona de casa para ser acrescentada como um número nas estatísticas
demográficas. Na escola, durante o Ensino Médio, experimentou cigarro e sentiu
a boca muito amarga, ficou duas ou três vezes com meninos da classe, conhecendo
alguns amassos masculinos em exercício de maturidade. Repetiu, até então, o que
via e ouvia em sua volta. Nunca tivera vocação para rebeldias além daquelas de
ficar um almoço sem comer, para a aflição da mãe, por não lhe terem permitido
passar o fim de semana em excursão com os colegas de classe.
