A partir de agora, publicaremos periodicamente textos de Menalton Braff nos quais ele expõe os motivos que o levaram a escrever cada um dos seus 23 livros publicados até o momento.
Como sempre me aconteceu, não escrevo contos para um livro. Meus contos, cada um tem sua motivação. Se houver entre eles algum encadeamento, algumas uniformidade, isso é inteiramente casual.
O livro A coleira no pescoço não teve origem diferente do que afirmo acima. O primeiro conto, que dá título ao livro, nasceu de uma cena a que assisti de dentro de um hotel em Poços de Caldas. Sob um vento forte e irritante, um velho, caminhando com alguma dificuldade na calçada do outro lado da rua, vai puxando um cachorrinho com jeito de velho, que se deixa arrastar, mal movendo de quando em vez suas patas.
Imediatamente me lembrei do velho do Camus que perde seu cachorro e lamenta o fato, pois não terá mais em quem descarregar os safanões de sua vida infeliz. Mudei a motivação, dando ao cão a identidade do velho, o modo como convive com dificuldade com sua velhice.
Em Alice e o violoncelo, a ideia do conto surgiu num concerto da Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto ao perceber o modo como uma das violoncelistas manuseava seu instrumento. Foi impossível