E por falar em eternidade
Tenho aqui, à minha frente, as laudas do livro Eternidades na palma da mão, da Mara
Senna, quem me concedeu o privilégio desta leitura prévia. Este é seu terceiro
livro de poemas. Luas novas e antigas,
o primeiro, já vem com o carimbo de alta qualidade poética, sem os canhestros
titubeios de uma estreia. Mas aquilo que eram qualidades humanas e literárias,
no livro anterior, veio ainda com mais força em seu segundo livro, Ensaios da tarde, quando a poeta já se
firmava como uma das mais brilhantes estrelas do cenário literário
ribeirão-pretano.
Há neste novo livro, em que a eternidade cabe na palma da
mão, um afinamento instrumental que só confirma a Mara como uma das mais
felizes expressões poéticas das novas gerações literárias brasileiras. A
delicadeza das ideias aliada ao modo delicado de dizer, eis o feliz encontro
entre os planos do conteúdo e da forma, que é a condição para que se atinja a
essência da poesia, como é o caso da Mara.
A dor ou as dores da existência, o sentido de incompletude
da vida, o anseio por chegar além do
ramerrão do dia a dia, resulta um certo tom melancólico que perpassa por boa
parte de seus poemas.
Porém, para as coisas não vividas,/ mas tão
ardentemente desejadas,/ só consegui inventar desculpas/ esfarrapadas,/ e
estendo a elas/ essas mãos vazias de eternidade.


