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| Stefan Morawski |
Pág. 133 - "Por estas razões (ver postagens anteriores), fundamentais na constituição de uma axiologia estético-literária, mas também relevantes na análise do funcionamento global do sistema semiótico literário, parece-nos justificada e operatoriamente fecunda a distinção estabelecida por Stefan Morawkoski entre novidade e originalidade como categorias constitutivas e critérios valorativos dos objetos estéticos: a novidade marca a separação, a ruptura em relação a padrões formais e sémicos dominantes num dado contexto histórico, ao passo que a originalidade se funda num modo (pág. 134) diferenciado de ver o mundo, o qual conduz a uma realização e a uma articulação peculiares dos signos estéticos, das suas regras semânticas e sintácticas, das suas funções e dos seus valores. A novidade, conexionada sobretudo com o fenómeno do vanguardismo artístico, pode-se reproduzir e proliferar até decair no pastiche e no maneirismo epigonal; a originalidade, por definição, não é reprodutível.
Nas suas inter-relações possíveis, verifica-se que a novidade pode carecer de originalidade, que a novidade e a originalidade podem coincidir ou sobrepor-se parcialmente e que a originalidade pode ocorrer dissociada da novidade. Nas grandes obras literárias, a novidade e a originalidade coexistem e interfecundam-se, sob modalidades de maior ou menor tensão recíproca; em muitos textos literários de vanguarda, que nunca alcançam o estatuto de 'grandes obras', avulta a novidade, mas escasseia a originalidade; nalgumas obras, enfim, a originalidade é afectada pela frouxa capacidade inovadora. Os textos paraliterários, como decorre de quanto ficou exposto, carecem tanto de novidade como de originalidade (o que não acontece necessariamente com textos literários de autores minores).
(CONTINUA)

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