quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

CANTIGAS DE AMIGOS


O poema que segue é do premiado poeta Vasco de Oliveira.



BOLO DE FUBÁ

Farelos sobre a mesa.                  
Gosto de erva doce
como um fundo musical
fluindo fundo da memória.

No abismo do tempo
o cheiro da canela em pó
levemente espalhada com açúcar.

Nossos mortos nunca morrem completamente,
estão guardados em nossa caixa de sapatos.
Habitam fotografias desbotadas
de onde nos olham com olhos baços pelo tempo.

A ausência é uma cadeira vazia à mesa
onde pardais recolhem migalhas
de um bolo de fubá.



Do livro Fragmentos, de Vasco Pereira de Oliveira

2 comentários:

  1. Lindo! Viajei no tempo!!Parabens!!

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  2. O tempo e a leveza de um poema como este, falando das coisas próximas, nos incitam a muitos voos à distância.

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