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quarta-feira, 7 de outubro de 2015

CANTIGAS DE AMIGOS



O poema abaixo é de Vasco Pereira de Oliveira, e consta de seu livro Fragmentos.

Pequeno encanto

De longe (o luar)
ferindo o olhar:
a lua derrama ouro
sobre a mata.

Mergulho na polpa doce da vida
e nela me afogo,
 como o inseto que busca (a luz)
e nela se ofusca,
como pássaro que se despedaça
contra a vidraça.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

CANTIGAS DE AMIGOS


O poema que segue é do premiado poeta Vasco de Oliveira.



BOLO DE FUBÁ

Farelos sobre a mesa.                  
Gosto de erva doce
como um fundo musical
fluindo fundo da memória.

No abismo do tempo
o cheiro da canela em pó
levemente espalhada com açúcar.

Nossos mortos nunca morrem completamente,
estão guardados em nossa caixa de sapatos.
Habitam fotografias desbotadas
de onde nos olham com olhos baços pelo tempo.

A ausência é uma cadeira vazia à mesa
onde pardais recolhem migalhas
de um bolo de fubá.



Do livro Fragmentos, de Vasco Pereira de Oliveira

quarta-feira, 6 de junho de 2012

PARÁBOLA DO CÁGADO VELHO (1)

ARTHUR CARLOS MAURÍCIO PESTANA DOS SANTOS, ou apenas PEPETELA, como assina suas obras, nasceu em Benguela, Angola em 1941. Aos 17 anos foi para Lisboa a fim de estudar, envolvendo-se na luta pela independência de seu país.

Após a vitória, Pepetela, formado em sociologia, ocupou cargos ministeriais importantes em Angola, antes de se dedicar ao magistério.

A partir de 1983 abandonou a política para dedicar-se à literatura, tendo produzido vasta obra de ficção.
Em 1997 foi laureado com o Prêmio Camões, considerado o mais importante prêmio literário em língua portuguesa.

Este romance, Parábola do Cágado Velho, do qual, a partir de hoje, publicaremos fragmentos e comentários, mais daqueles do que destes, assim começa em sua

terça-feira, 17 de abril de 2012

FRAGMENTO DE MOÇA COM CHAPÉU DE PALHA (1)


Iniciamos, aqui, a publicação de fragmentos do livro Moça com chapéu de palha.


"Nas primeiras vezes em que sentimos o corpo latejar, procurávamos com pressa o motel mais próximo, qualquer um, e parecia-me que ambos aprendíamos a morrer um pouco naquela vertigem que se misturava a uma sensação ácida de clandestinidade...."