
O poema abaixo é do meu amigo Mário Massari.
Fragmentos de poesia em campos de girassóis
A indiferença do sisal
não pertence ao menino
- sua esperança afiada
não ousaria saquear girassóis.
Turvo – o rio
desenvolveu autossuficiência
- em sua subterrânea miséria
as lágrimas são fosforescentes.
No dia em que o bezerro agonizou,
atolado até ao pescoço,
construí o meu primeiro muro
- havia conchas suficientes
na tristeza de meu avô.
O domador de silêncios
ficou cego
- agora recria a melodia dos
bem-te-vis
com as recém-paridas mãos.
O meu pai tinha parentesco
com a terra,
sabia-lhe a fome, a sede, os desertos
- comungava a energia das raízes.
Autenticada na memória
a sua
provação de fé
quando, desolado, chorou,
ao perder toda a colheita
e a minha mãe, impotente,
“passou um demorado café”.
A bailarina dissolve-se.
O catador recicla o dia.
Há liberdade
nos cárceres íntimos da palavra.
Celebra as tuas asas,
Poesia!
Mário Massari
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