quinta-feira, 18 de junho de 2015

QUESTÕES DE ESTÉTICA DA LITERATURA (143)

4.4. Origem e estabelecimento da divisão triádica dos géneros literários

Entre os precursores da divisão dos textos em Gêneros, estão Platão, em A República, Aristóteles, com sua Poética, e Horácio em Epístola ad Pisones (Arte Poética). 
A divisão tripartida mais popular durante a Idade Média, entretanto, foi formulada por Diomedes, um gramático do século IV, que, praticamente, copiou a divisão platônica com pequenas modificações terminológicas.
Eis a divisão de Diomedes:

a) Genus actiuum uel imitatiuum - que os gregos chamavam de mimeticon. Nesta categoria não poderia haver intervenções enunciativas do poeta e deveria apresentar apenas atos enunciativos de personagens. É própria do teatro e dividia-se em tragédia e comédia. Mas podia também existir em um poema bucólico, como a égloga I de Virgílio.
Obs.: a égloga ou écloga é um tipo de poema dialogado. Em geral o diálogo travava-se entre pastores.


b) Genus enarratiuum - para os gregos apaggelticon. Neste gênero, apenas o poeta fala. Como exemplos, as Geórgicas de Virgílio e os carmina de Lucrécio.
c) Genus commune uel mixtum - mikton, para os gregos. Trata-se de uma mistura dos dois gêneros anteriores. Apresenta atos enunciativos do poeta e atos enunciativos de personagens. Exemplos, a Odisseia e a Eneida. 
A divisão tripartida dos gêneros literários correlaciona-se, então,  com a classificação tripla dos estilos: stilus sublimis, stilus mediocris e stilus humilis. Elevado, médio e baixo. E é claro, cada um desses estilos correspondia a um tipo social.

(CONTINUA) 

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