quarta-feira, 23 de março de 2016

CANTIGAS DE AMIGOS

Segunda pele


Se nunca tirei o vestido que usava,

quando te amei,

é porque ficou definitivamente

colado à minha pele.

Quando saio às ruas,

olhos ineptos enxergam-me nua,

e seus dedos acusadores

apontam-me como louca,

como se eu repetisse a história


da roupa nova do rei.

Só quem usa,

sobre a pele,

o mesmo tipo de tecido,

consegue enxergar que estou vestida

com o vestido com que te amei.


Mara Senna no livro Eternidades na palma da mão (Editora Patuá, 2015).

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