Se nunca tirei o vestido que
usava,
quando te amei,
é porque ficou definitivamente
colado à minha pele.
Quando saio às ruas,
olhos ineptos enxergam-me nua,
e seus dedos acusadores
apontam-me como louca,
como se eu repetisse a história
da roupa nova do rei.
Só quem usa,
sobre a pele,
o mesmo tipo de tecido,
consegue enxergar que estou
vestida
com o vestido com que te amei.
Mara Senna no livro Eternidades
na palma da mão (Editora Patuá, 2015).

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