quarta-feira, 13 de julho de 2016

CANTIGAS DE AMIGOS

DIANTE DE UM MOTE DE
SANTA TERESA DE JESUS
                                           (*)Ely Vieitez Lisboa

Por acaso pedi
que em minha vida entrasses
vento benéfico perfumando
o mais recôndito vazio  
Eu te permiti fazer de minhas mãos
conchas pejadas de pérolas, desejos novos
que purgatório já se habituara ser?
da carne adormecida
em casta hibernação?
Disse-te que podias fazer

de minha alma borboleta                                                                                                    
se antes crisálida fora
feia, embotada
casulo cinza de nenhum
jamais possível sonho novo?
Não te falei que perdera
todos os segredos dos cofres                                                                                              
do sentimento?
E vieste assim, intempestivo
como um deus, como um homem
que conhece o chão jamais pisado.
Possuíste minha alma
feudo cerrado
e nela puseste teu selo
de dono remido.
Depois partes, te vais
sem culpa, remorsos, zelo
pelo reino destruído?
Nada entendo. A quem minha rebeldia?
Só sei, no desalento derradeiro
Que muero porque non muero!

(*)Poema do livro Replantio de Outono, Ely Vieitez Lisboa, Funpec Editora-2008.                  
                                              
 

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