segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

CARTAS DO INTERIOR

Vésperas


A ansiedade é o estado normal da véspera. Como vai acontecer. Quando não se tem o controle de todas as variáveis possíveis, a gente só tem de curtir um pouco de ansiedade.

Mas como o assunto era a véspera, resolvi fazer uma incursão a respeito da etimologia da palavra. Um dicionário me diz que vem do latim vespĕr (uma palavra paroxítona uma vez que o segundo e tem sobre si um sinal diacrítico que significa breve). E vésper é o planeta Vênus. Por quê? Não sei, mas chuto. Vênus é mais visível no fim do dia, isto é, às vésperas de um novo dia.

Não sei se meu pensamento está correto, mas se erro na minha conclusão, o trabalho de chegar a ela me trouxe certo alívio, pois consegui uma distração para acalmar minha ansiedade.

E o fato é que, mesmo tendo passado por essa experiência talvez uma centena de vezes, cada vez que se aproxima um novo lançamento, as emoções que me abalam são as mesmas do primeiro lançamento, que já ficou apenas em algumas fotos velhas e amareladas, com pessoas que há muito me fugiram do convívio e da memória.

O medo que se tem resume-se na quantidade de amigos que poderão comparecer. Em meus lançamentos conto sempre com um pequeno número de companheiros de jornada literária, nem por isso deixo esperar que (desta vez) meu livro começará bem sua carreira. E se começar mal? Vocês entenderam como se começa a cair em ansiedade?

Mas o livro (melhor falar dele do que de mim) é uma coletânea de contos que durante muitos anos fui escrevendo e arquivando em pastas do computador. Amor passageiro é o título de um dos contos, e fico por aqui, porque, se satisfizer sua curiosidade, você será um dos que não vão comparecer à Biblioteca Padre Euclides, rua Visconde de Inhaúma, 490 – 1º andar, a partir das 19h do dia 12/12.

O livro foi editado pela Editora Reformatório com uma linda capa escolhida pelo Marcelo Nocelli, o editor, utilizando uma foto interna da Estação da Luz. Tudo a ver, a capa. Em vários contos a ideia de deslocamento, se não é tema central, pelo menos secundário ela é.

De algumas pessoas já recebi críticas negativas porque meus livros de contos não mantêm alguma coesão entre si. Bem, nada me resta senão repetir o que tenho dito. O conto, segundo minha visão, é fruto de um instante, uma súbita emoção, uma sensação inesperada e essas coisas acontecem para qualquer pessoa, mas o escritor está sempre on line, registrando na memória ou no computador o que a seu juízo vale a pena registrar. Não escrevo contos pensando em um livro. Escrevo contos que deem à luz alguma emoção ou sensação que me parecerem dignas de registro.

E quanto à ansiedade, meus caros, devo sofrê-la até dia 12.

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