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sexta-feira, 15 de março de 2013

UM CONTO PARA SEU FIM DE SEMANA

 O conto que segue consta da coletânea A coleira no pescoço, editada pela Bertrand Brasil, em 2006. 
De pombos e gaviões: suas distâncias

Nossa vila fica num remanso da estrada, que então se alarga, ali, no largo. O armazém baixo, atarracado - uma só porta aberta, estreita escura, duas janelas feito olhos vazados, diversos telheiros e galpões - cara a cara com a igreja branca, pesada, de janelas azuis. Entre os dois, a cruz de braços abertos enegrecidos sobre pequena pirâmide de pedras cobertas de musgo: salve sua alma, ela proclama sem grande utilidade. 

Depois, pouco mais de uma dezena de casas agachadas por debaixo das árvores - pobres, encarquilhadas - de janelas quase sempre fechadas e paredes encardidas de terra e tempo. E as árvores. Sujas de poeira, as árvores da beira da estrada.