O conto que segue consta da coletânea A coleira no pescoço, editada pela Bertrand Brasil, em 2006.
De pombos e gaviões: suas distâncias
De pombos e gaviões: suas distâncias
Nossa vila fica num remanso da estrada, que então se alarga,
ali, no largo. O armazém baixo, atarracado - uma só porta aberta, estreita
escura, duas janelas feito olhos vazados, diversos telheiros e galpões - cara a
cara com a igreja branca, pesada, de janelas azuis. Entre os dois, a cruz de
braços abertos enegrecidos sobre pequena pirâmide de pedras cobertas de musgo:
salve sua alma, ela proclama sem grande utilidade.
Depois, pouco mais de uma
dezena de casas agachadas por debaixo das árvores - pobres, encarquilhadas - de
janelas quase sempre fechadas e paredes encardidas de terra e tempo. E as
árvores. Sujas de poeira, as árvores da beira da estrada.
