Para fechar o ano com chave de ouro, postamos neste 30 de dezembro uma resenha de Menalton Braff sobre o livro "Cartas a Cassandra", de Ely Vieitez Lisboa, editado pela Funpec.
Manifesto às mulheres
Menalton Braff
O mote
inicial do romance “Toda mulher é Cassandra...” cria uma ambigüidade que vai
funcionar como elemento condutor da narrativa, da primeira à última páginas.
Cassandra, ao mesmo tempo em que é o futuro, é veneno; é a sabedoria da vida,
mas não escapa à traição e ao sofrimento. Profetizou o terrível fim de
Agamenão, que não lhe deu ouvidos, e compartilhou com ele o final trágico.
Ely Vieitez Lisboa, que em seus contos já anunciava este vezo da cultura clássica,
da recorrência aos grandes mitos da humanidade, inaugura-se em romance com o
mesmo viés cultural. Sua tarefa, em Cartas a Cassandra, é penetrar fundo
na alma feminina, desvendar-lhe os mais abscônditos escaninhos, e o faz de
forma segura, amparada, que está, naquilo que durante milênios a humanidade
acumulou como conhecimento da mulher.
Em
Cartas a Cassandra, o leitor não vai encontrar um romance de estrutura
tradicional, em que uma célula dramática central e circundada por células
dramáticas secundárias imbricadas entre si. Sua estrutura é mais de ruptura do
que de tradição. As cartas, endereçadas a uma destinatária virtual,