Pág. 239 - "A tendência formalista para desvalorizar, e mesmo para anular, a função do autor/emissor está exemplarmente consubstanciada num dos textos mais famosos e mais influentes da poética do new criticism norte-americano - o já citado ensaio 'The intentional fallacy' de W. K. Wimsatt e C. M. Beardsley, (p.240) que originou uma das mais vigorosas, complexas e prolongadas polémicas da teoria literária do século XX. Por 'intenção', Wimsatt e Beardsley entendem o desígnio ou o plano da obra literária existentes no espírito do autor - 'Intention has obvious affinities for the author's atitude toward his work, the way he felt, what made him write' - e por 'falácia da intenção', designam o erro lógico e metodológico que consiste em interpretar e julgar um poema, concebido lato sensu como equivalente a obra literária, com fundamento na intenção do autor.