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domingo, 31 de agosto de 2014

QUESTÕES DE ESTÉTICA DA LITERATURA (110)



T. S. Eliot

Pág. 239 - "A tendência formalista para desvalorizar, e mesmo para anular, a função do autor/emissor está exemplarmente consubstanciada num dos textos mais famosos e mais influentes da poética do new criticism norte-americano - o já citado ensaio 'The intentional fallacy' de W. K. Wimsatt e C. M. Beardsley, (p.240) que originou uma das mais vigorosas, complexas e prolongadas polémicas da teoria literária do século XX. Por 'intenção', Wimsatt e Beardsley entendem o desígnio ou o plano da obra literária existentes no espírito do autor - 'Intention has obvious affinities for the author's atitude toward his work, the way he felt, what made him write' - e por 'falácia da intenção', designam o erro lógico e metodológico que consiste em interpretar e julgar um poema, concebido lato sensu como equivalente a obra literária, com fundamento na intenção do autor.

terça-feira, 17 de julho de 2012

QUESTÕES DE ESTÉTICA DA LITERATURA (19)

Mallarmé
Págs. 46 e 47 - "Todavia, se em alguns autores medievais, maneiristas e barrocos, se encontra expressa a ideia de que o 'estranhamento' da linguagem comum é conatural à literatura - e, mais particularmente, à poesia -, pois que o texto literário só se constitui mediante esse processo de revitalização, potenciação e transformação semântico-formais imposto à linguagem usual, noutros autores, sobretudo renascentistas e neoclássicos, aquele 'estranhamento' da locução é concebido e avaliado como um conjunto de elementos exornativos que torna mais belo e mais aprazível para os leitores o pensamento do autor, instituindo-se assim uma fissura irremediável entre o significado e a forma do texto literário e relegando-se para um plano de complementaridade e de superveniência o trabalho do escritor na linguagem e com a linguagem. Nessa perspectiva, a linguagem literária é portanto um sermo pulchrior  que se constitui, mediante os processos retórico-estilísticos da amplificatio e da exornatio, a partir de uma base linguística mais reduzida e mais simples utilizada na chamada linguagem da comunicação normal.